João Duarte, da Rádio ONU em Londres.
A Organização das Nações para Agricultura e Alimentação, FAO, afirma que práticas de captação de carbono em solos agrícolas oferecem algumas das mais promissoras oportunidades para contrariar os efeitos das mudanças climáticas nos países em desenvolvimento.
No entanto, segundo o organismo da ONU, a agricultura encontra-se largamente excluída dos principais mecanismos financeiros que serão discutidos durante a Cimeira das Mudanças Climáticas que terá lugar este mês em Copenhaga, na Dinamarca.
Impactos
De acordo com o documento que a FAO publicou esta terça-feira, a agricultura não sofre apenas os impactos das alterações climáticas mas é igualmente responsável por 14% das emissões globais de gases que provocam o efeito de estufa.
No entanto, segundo este organismo da ONU, a agricultura tem potencial para desempenhar um papel de relevo na solução, reduzindo ou eliminando uma parte significativa das emissões globais. A FAO defende que nos países em desenvolvimento cerca de 70% deste potencial pode ser realizado. Práticas agrícolas como aquelas utilizadas pela agricultura orgânica e de conservação captam o carbono conservando-o no solo.
Desafios
O documento apela a financiamentos a fim de ajudar os países mais vulneráveis a responderem de forma mais abrangente aos desafios colocados pelas mudanças climáticas e segurança alimentar.
Segundo a FAO, a produção alimentar terá que aumentar em 70% para alimentar 2,3 mil milhões de pessoas adicionais até ao ano 2050. As regiões mais pobres com níveis elevados de fome crónica encontram-se entre aquelas que mais sentirão os efeitos das mudanças climáticas.