Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova Iorque*.
Os países em desenvolvimento devem conhecer este ano um aumento de 17% nos encargos de dívidas como proporção de receitas governamentais.
A conclusão foi feita nesta segunda-feira pelo Secretário-Geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento, Unctad, Supachai Panitchpakdi, durante a abertura da 7ª Conferência de Gestão da Dívida, em Genebra, na Suíça.
Crise Económica
De acordo com Supachai, países pobres atingidos fortemente durante a crise económica precisam financiar programas sociais e de saúde para proteger as suas populações.
Ele disse que esses países fazem ainda muitos empréstimos para construir infraestruras em áreas dos transportes, saúde e educação. O resultado são dívidas que causam crescimento lento.
O problema é que sem esses investimentos o progresso nos países pobres também acontece lentamente. Segundo Supachai, muitas dessas nações não devem atingir as Metas do Milênio, como a redução pela metade da extrema pobreza até 2015.
O chefe da Unctad afirmou ser preocupante o recente aumento das fatias das receitas públicas dedicadas ao serviço da dívida, em países em desenvolvimento e altamente endividados.
Moratória Temporária
O Secretário-Geral da agência da ONU lembrou que pediu no começo do ano moratória temporária de dívidas oficiais para nações de baixo rendimento.
De acordo com ele, a Unctad acaba de lançar o projecto 'Promovendo a Concessão de Empréstimos e Soberania', que pretende ajudar esses países a estabelecer padrões que evitem dificuldades periódicas de pagamento e facilitem a resolução de disputas.
*Apresentação: Carlos Araújo, Rádio ONU, Nova Iorque.