Michelle Alves de Lima, da Rádio ONU em Nova York.
Dois documentos publicados recentemente pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, analisam o impacto de crises financeiras passadas e suas causas para avaliarem quais serão as lições que virão com a atual crise financeira.
Segundo eles, as crises financeiras têm tido efeitos profundos e prolongados na região, independentemente das características ou condições iniciais de cada país. A previsão para a crise atual é de efeitos profundos e negativos na economia.
Estimativas divulgadas nesta semana pelo Banco Mundial confirmam as teses dos economistas da Cepal, já que o PIB da América Latina e do Caribe devem, em geral, ter uma queda de 0,6% após o ganho de 4,3% registrado no ano passado.
De acordo com dados da Cepal, o Brasil está entre os países mais afetados pela crise, com a taxa de crescimento estimada em -1%.
Aprendizado
Os autores do documento citam algumas lições que os países latino-americanos podem tirar da crise. Entre elas, estão a extensão das regras e a supervisão de todas as instituições financeiras que têm potencial para afetar a economia geral.
Os economistas ainda sugerem a adoção de mecanismos para abolir o comportamento cíclico dos sistemas financeiros, que agrava a instabilidade econômica e não alivia os efeitos de depressão econômica.
Brasil
Assim como os outros países da América Latina, o Brasil também foi afetado por crises financeiras no passado, mas elas despertaram mecanismos alternativos de resposta, como a descoberta da capacidade de se criar políticas próprias, como explica Carlos Mussi, economista da Cepal em Brasília, à Rádio ONU:
"Você pode pensar desde a Grande Depressão, que cortou o comércio e os preços do café. O Brasil nessa época descobriu a capacidade de fazer políticas próprias, com a compra dos cafezais, a queima. Era o início de uma política para estimular e proteger o mercado interno", afirmou.
Momento atual
Segundo Mussi, o impacto da crise no país pode ser avaliada de acordo com seu grau de exposição na economia externa.
"A atual crise pega o Brasil num momento que ele de novo cresce, muito puxado pelo seu próprio mercado, mas com vulnerabilidade externa menor. Essa é a grande variável para analisar o impacto da crise no Brasil - o quão está exposto o país ao impacto da crise externa", avalia.
O economista da Cepal acredita que entre as lições que o País deve aprender com a crise, estão a consolidação das instituições econômicas e a responsabilidade sobre sua própria economia.
*Apresentação: Eduardo Costa, da Rádio ONU em Nova York.