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Crianças iraquianas 'trocam escola por emprego' na Síria
Segundo Unicef, menores refugiados estão abandonando o colégio para ajudar a família; Síria abrigou mais da metade dos 2 milhões de iraquianos que fugiram da violência sectária no país desde 2003.
Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York.
O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, informou que crianças iraquianas, refugiadas na Síria, estão abandonando a escola em busca de trabalho.
O alerta foi feito nesta terça-feira, numa nota do Unicef, divulgada em Damasco, capital síria.
Mais de 30%
Dados oficiais indicam que dos 49 mil iraquianos matriculados em escolas sírias, há dois anos, apenas 32 mil permaneceram estudando. Uma queda de cerca de 30% em apenas um ano.
A Síria recebeu cerca de 1,2 milhão de pessoas que fugiram da violência sectária no Iraque com a guerra de 2003.
O número é mais da metade do total de 2 milhões de refugiados após a invasão.
Famílias
O governo sírio abriu o sistema escolar às crianças iraquianas, mas muitas não conseguiram se beneficiar com a medida.
De acordo com a agência de notícias Irin, as crianças são obrigadas a trabalhar para sustentar suas famílias mesmo que isso seja proibido no país vizinho.
Um dos entrevistados pela agência, um menino de 16 anos, disse que teve que sair da escola para ganhar dinheiro limpando um hotel porque seu pai tem uma deficiência física e não pode trabalhar.
A maioria dos refugiados iraquianos vive em Damasco, onde os colégios já estão sobrecarregados.
Depressão
Ainda de acordo com os professores, um outro motivo da evasão e do mau desempenho das crianças refugiadas são problemas emocionais, falhas na educação ou dificuldades para se ajustarem à nova vida no país vizinho.
O Unicef está treinando professores em necessidades psicossociais. Pelo menos uma pessoa na família das crianças refugiadas sofre de depressão. E, muitas vezes, são as próprias crianças.
Segundo o Acnur, todos os meses, cerca de 150 iraquianos visitam serviços de aconselhamento psicológico no país.



