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 16 março 2010
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Banco Mundial alerta para "corrupção silenciosa" em África

Segundo estudo do órgão, fenómeno ocorre principalmente nas áreas de educação e saúde; na maioria dos países africanos, os professores primários não estão na escola 15% a 25% do tempo e grande parte dos que estão na escola não ensinam.

Desenvolvimento em África

Desenvolvimento em África

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um estudo do Banco Mundial sobre Indicadores do Desenvolvimento de África em 2010 alerta para a propagação da "corrupção silenciosa" no continente.

A análise do Banco Mundial, lançada esta terça-feira em Moçambique, indica que o fenómeno ocorre quando os funcionários públicos falham na prestação de serviços.

Exemplos

Leia o boletim do Manuel Matola, em Maputo.

Os autores da pesquisa apontam como exemplos notórios da "corrupção silenciosa" o absentismo dos professores nas escolas públicas e pessoal de saúde.

Segundo o estudo, na maioria dos países africanos, os professores primários não estão na escola 15 a 25 por cento do tempo e grande parte dos que estão na escola não ensinam.

A mesma pesquisa dá conta que em África se acredita cada vez menos nos sistemas de prestação de serviços públicos.
Há sete anos, um estudo conduzido no Uganda apontava uma taxa de absentismo de mais 33 por cento dos funcionários da saúde.

Por seu turno, no Quénia, 20 por cento dos professores nas escolas primárias rurais ausentaram-se durante o horário escolar, em 2004.

O economista principal do Banco Mundial em Moçambique, António Nucifora, considerou que o fenómeno nos países africanos resulta das fraquezas dos serviços públicos e dos media.

"As implicações destes pequenos actos, que normalmente, não chegam até a primeira página de jornais são muito fortes no dia-a-dia para o crescimento dos países. O tamanho destes problemas é muito mais amplo do que está a ser reconhecido", afirmou.

Indicadores

O relatório contém cerca de 450 indicadores macroeconómicos, sectoriais e sociais e abrange os 53 países africanos.

A pesquisa considera que o fenómeno está a prejudicar, de forma desproporcionada, os pobres africanos e que pode ter consequências a longo prazo.