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Adeus aos funcionários da ONU mortos no Haiti
Daniela Traldi, da Rádio ONU em Nova York.
Os nomes dos 101 funcionários das Nações Unidas mortos no terremoto no Haiti foram lidos em cerimônia oficial na sede da ONU em Nova York.
A homenagem, realizada quase dois meses após o tremor de terra, reuniu familiares, amigos e colegas dos civis, policiais e militares da organização que morreram no abalo.
Tragédia
Durante a cerimônia, o Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, lembrou que esta foi a maior tragédia isolada da história das Nações Unidas.
Muito emocionado, ele disse que os homens e mulheres que serviam no Haiti eram heróis, trabalhadores dedicados aos esforços humanitários, que vieram de vários países.
Ban Ki-moon afirmou que os funcionários das Nações Unidas não dividiam apenas o mesmo escritório, mas o desejo por um mundo melhor. Ele agradeceu a comunidade internacional, as equipes de resgate, as organizações não-governamentais e a população do país.
O presidente da Assembleia Geral, Ali Treki, lembrou os milhares de haitianos que também morreram e 1 milhão de pessoas que não tem mais onde morar.
Poema
Um poema escrito em francês pelo embaixador de Cabo Verde nas Nações Unidas, Antonio Pedro Monteiro Lima, foi lido durante o memorial.
Em entrevista à Rádio ONU, ele afirmou que o texto reflete a solidariedade com o povo haitiano.
"Este texto representa um pouco essa ira que nós temos quando vemos aquilo que acontece no Haiti ano após ano, tragédia após tragédia, e isso não é normal".
A embaixadora do Brasil nas Nações Unidas, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que a cerimônia foi muito emocionante.
"É um sentimento de muita paz. Foi uma homenagem muito bonita, muito emocionante, mas que transmitiu ao mesmo tempo muita paz e gratidão sobre o que representa esse esforço que as Nações Unidas fazem no Haiti, mas é um sentimento de muita paz e gratidão", afirmou.
Orgulho
Cleonice Seraphim veio de Lorena, no interior de São Paulo, para prestar a última homenagem ao filho Washington, que era militar da missão da ONU no Haiti, Minustah, estava prestes a completar 24 anos e retornar ao Brasil.
"E quando faltava uma semana eu estava em Ribeirão Preto e vim para Lorena para fazer a festa dele de aniversário e o retorno. Aí soubemos a notícia e tudo acabou, tudo desmoronou. Ele também estava esperando a festa, esperando tudo. Infelizmente foi de maneira diferente".
Emilia Martins falou sobre o orgulho que o marido Adolfo, major da missão, sentia em trabalhar para as Nações Unidas.
"Pra mim fica o sorriso dele e o orgulho que ele tinha de colocar a boina azul. Ele era muito feliz, sempre me mandava os jornais da ONU mostrando o Haiti antes, o Haiti agora. A imagem dele com o capacete azul tinha muito orgulho de me mostrar, tudo que vinha da ONU".
Esperança
O ex-comandante das operações militares da Minustah, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, lembrou os amigos mortos no terremoto.
"Foi um dos dias mais tristes da minha vida sem dúvida nenhuma. A tragédia no Haiti traz esse sentimento de perda de muitos amigos que viveram uma situação onde a intensidade da amizade é muito grande numa missão dessas".
Cristina da Costa, esposa do brasileiro Luiz Carlos da Costa, vice-chefe da Minustah, que morreu sob os escombros do prédio que abrigava a missão em Porto Príncipe, afirmou que a mensagem de esperança permanece.
"Foi um momento muito importante para todas as famílias e para todos que se foram porque trouxe uma certa passagem de grande dor a uma luz muito especial, que eu tenho certeza que está sendo honrada com a presença de todos os familiares, amigos e funcionários", disse.
A cerimônia teve ainda um vídeo com imagens dos funcionários, flores, velas e uma homenagem à bandeira azul e branca da ONU. A cantora haitiana Emeline Michel encerrou o memorial.





