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Futuro da Minurcat
Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.
O Subsecretário-Geral da ONU para Operações de Manutenção de Paz, Alain Le Roy, visitou recentemente o Chade para discutir com as autoridades do país o futuro da missão de paz da ONU, Minurcat.
A sua visita seguiu-se ao apelo do governo chadiano para a retirada da componente militar da operação.
Compromisso
No último dia da sua visita, na segunda-feira, Le Roy reuniu-se com o presidente do Chade, Idriss Déby.
O representante de Ban Ki-moon e chefe da Minurcat, Victor Angelo, disse à Rádio ONU, da capital chadiana, que Le Roy e Déby chegaram a um compromisso sobre o futuro imediato da missão.
"Durante a sua visita, ele teve a oportunidade de se encontrar com o presidente Idriss Déby e durante esse encontro eles chegaram à conclusão que é necessário prolongar a permanência da Minurcat por mais dois meses, ou seja, de 15 de Março a 15 de Maio. Isto irá permitir a continuação das actividades em curso, mas também criar um período em que as duas partes se consultariam e decidiram qual seria o futuro da missão para além de Maio deste ano até o final de 2010", afirmou.
Victor Angelo disse que a Minurcat irá, em princípio, permanecer no Chade até meados de Maio e ao mesmo tempo, negociar com o governo as modalidades da protecção de refugiados e trabalhadores humanitários até o fim do ano.
Sucesso
O representante de Ban Ki-moon disse que o Conselho de Segurança tem apreciado o trabalho desenvolvido pela Minurcat no terreno.
"O Conselho de Segurança das Nações Unidas reuniu-se há cerca de 10 dias sobre a Minurcat e os resultados que tem alcançado e a conclusão unânime de todos os membros do órgão é de que a missão tem tido uma actuação com sucesso. Conseguiu fazer a formação de 800 polícias e gendarmes do Chade, conseguiu fazer com que a situação de segurança no leste do Chade evoluísse positivamente e conseguiu também fazer com que a administração da justiça e a capacidade das autoridades locais fossem reforçadas. Por isso, na opinião do Conselho de Segurança, a missão tem conseguido resultados e era importante que ela continuasse mais um ano, ou seja, até Março de 2011, para poder consolidar esses resultados", disse.
Lentidão
Victor Angelo admite algumas dificuldades, nomeadamente na lentidão registada no envio de capacetes azuis para o Chade.
"Do ponto de vista do que não correu bem, o fundamental foi o atraso na chegada dos capacetes azuis. Os soldados das Nações Unidas demoraram bastante tempo a chegar e isto teve um impacto negativo no que diz respeito à imagem que o governo do Chade se fez da Minurcat e das Nações Unidas. Ou seja, o governo do Chade que está habituado a fazer destacamentos militares muito rápidos e muito eficientes, achou que a maneira de trabalhar dos capacetes azuis era lenta, ineficaz e por isso com poucos resultados", salientou.
A Minurcat divide as suas operações entre o Chade e a República Centro-Africana. Victor Angelo disse à Rádio ONU que a suspensão das actividades da missão no Chade terá sérias repercussões para o país vizinho.
Mandato
"Qualquer interrupção do mandato da Minurcat no Chade acarreta automaticamente o fim das nossas operações na República Centro-Africana. Ou seja, a República Centro-Africana que precisa na sua zona de fronteira com o Sudão de apoio em matéria de segurança e em matéria de protecção dos civis, vai perder esse apoio se a ONU não conseguir chegar a um acordo com o Chade nas próximas semanas", afirmou.
A Minurcat foi criada por uma resolução do Conselho de Segurança em Setembro de 2007, para proteger civis e facilitar a ajuda humanitária a milhares de pessoas afectadas pela insegurança no Chade, na República Centro-Africana e no vizinho Sudão.




