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 13 novembro 2009
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"Índios e afro-brasileiros sofrem discriminação"

Alta comissária da ONU para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse em comunicado, no último dia da viagem ao Brasil, que as leis e políticas existentes não estão sendo colocadas em prática; ela encerrou visita de uma semana ao país.

Navi Pillay

Navi Pillay

Daniela Traldi, da Rádio ONU, em Nova York*.


A alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse nesta sexta-feira em Brasília que a impressionante lista de políticas e leis designadas para promover os direitos humanos e melhorar as condições sócio-econômicas não estão sendo devidamente implementadas no Brasil.

Em comunicado divulgado no último dia de visita ao país, Pillay afirmou que o resultado é séria discriminação, injustiça e violência, principalmente contra a população indígena e os afro-brasileiros.

Acesso

De acordo com a alta comissária da ONU, essas pessoas estão vivendo em condições de pobreza, sem acesso a serviços básicos e oportunidades de emprego e, até a situação mudar, o progresso do Brasil enfrentará dificuldades em muitas outras áreas.

Pillay fez um apelo aos responsáveis para a implementação total das leis existentes, dos planos e políticas de combate à discriminação.

Ela ressaltou que alguns dos principais problemas do Brasil estão relacionados à situação dos povos indígenas. Pillay reforçou que não encontrou nenhum índio ou representante durante sua passagem pelo país, o que comprova que eles continuam marginalizados.

Segundo a alta comissária da ONU a população indígena não é beneficiada pelo progresso econômico brasileiro, é tratada com indiferença, expulsa de terras e submetida ao trabalho forçado.

Situação parecida vivem os afro-brasileiros que, para Pillay, não ocupam cargos de chefia, são impedidos de competirem nos mesmos níveis com o restante da população e são as maiores vítimas de violência.

Medidas

Apesar das críticas, Navi Pillay afirmou que o governo tomou uma série de medidas importantes, dentro e fora do país, como a criação de secretarias especiais de direitos humanos, políticas para mulheres e igualdade racial, programas ambiciosos para a redução da pobreza e contra a fome, e o aumento do acesso à educação.

Durante sua visita pelo Brasil, a alta comissária de Direitos Humanos da ONU manteve encontros com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros, representantes de governos estaduais e da sociedade civil. Ela esteve em Salvador, Rio de Janeiro e Brasília.

*Apresentação: Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.