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 10 julho 2009
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Atrocidades na Somália podem ser crimes de guerra

Navi Pillay disse que forças que combatem na capital somali são referidas como tendo usado a tortura e disparado indiscriminadamente contra áreas civis; ela afirmou que um número crescente de crianças são recrutadas por grupos militares.

Navi Pillay

Navi Pillay

Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.


A alta comissária das Nações Unidas para Direitos Humanos, Navi Pillay, disse esta sexta-feira que as atrocidades que estão a ser cometidas contra a população civil de Mogadíscio por forças do governo e da oposição podem constituir crimes de guerra.

Pillay afirmou que deslocados e refugiados que fugiram da capital somali disseram a investigadores da ONU que o chamado grupo islâmico Al Shabaab realizou execuções extrajudiciais, colocou minas, bombas e outros engenhos explosivos em áreas residenciais e usou civis como escudos humanos.

Tortura

Ela indicou que forças dos dois lados são referidas como tendo usado a tortura e disparado indiscriminadamente contra áreas populacionais.

A Alta Comissária disse que há provas crescentes do aumento do recrutamento de crianças pelas várias partes que combatem na Somália. Ela afirmou que a prática é uma grave violação da lei humanitária e dos direitos humanos internacionais.

Pilay realçou também que o trabalho de jornalistas e activistas de direitos humanos é cada vez mais precário. Seis jornalistas foram mortos no país desde o início do ano.

Atrocidades

Ela afirmou que os responsáveis pelas atrocidades deverão ser julgados quando a ordem for restaurada na Somália.

Mais de 200 mil pessoas foram deslocadas e centenas de civis mortos ou feridos nos últimos dois meses pelos combates em Mogadíscio. Segundo dados da ONU, o número de somalis deslocados dentro do país por esses confrontos e anteriores conflitos eleva-se agora a 1,2 milhões.