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Comércio de armas leves cresce 28% entre 2000 e 2006
Estudo apoiado pela ONU indica que Estados Unidos continuam a estimular o comércio de armas leves no mundo; Brasil entre os seis maiores exportadores dessas armas.
Carlos Araújo, da Rádio ONU em Nova Iorque.
O valor global do comércio autorizado de armas leves e portáteis, incluindo peças, acessórios e munição, foi estimado em cerca de US$ 1,58 mil milhões em 2006.
A afirmação consta do "Levantamento de Armas Leves: Sombras da Guerra" lançado esta quinta-feira em Genebra, na Suiça.
Pistolas e Revólveres
O relatório tem o apoio da ONU e é produzido anualmente por uma equipa de pesquisadores independentes, utilizando dados alfandegários fornecidos por 53 países.
O estudo indica que o comércio mundial de armas de pequeno porte subiu 28% entre 2000 e 2006, representando um aumento de cerca de US$ 653 milhões.
Segundo a pesquisa, os Estados Unidos continuam a estimular o comércio de armas leves no mundo, sendo o maior importador de pistolas e revólveres, espingardas desportivas e munição de pequeno calibre.
Exportadores
O Brasil está no grupo dos seis maiores exportadores de armas leves e portáteis. Brasil, Estados Unidos, Itália, Alemanha, Áustria e Bélgica são os únicos países cujas exportações ultrapassaram os US$ 100 milhões.
O relatório afirma, contudo, que a China e a Rússia deverão também fazer parte desse grupo embora os dados alfandegários sejam insuficientes para provar isso.
O relatório aborda o impacto dessas armas sobre sociedades civis, particularmente em países que emergem de situações de conflito.
Consequências Humanitárias
O responsável pela área de armas ligeiras no Escritório de Assuntos de Desarmamento das Nações Unidas, em Nova Iorque, António Évora, disse à Rádio ONU, antes da publicação da pesquisa, que essas armas têm um efeito devastador em África.
"Nós sabemos que é um grande problema mas ninguém tem a noção certa e precisa da sua verdadeira dimensão. Mas temos de tomar em conta que a maior parte senão todas as guerras recentes em África foram conflitos que envolveram acima de tudo armas ligeiras e de pequeno calibre. Esses conflitos tiveram consequências humanitárias, destruiram infraestruturas e afectaram o desenvolvimento e a segurança do continente. Trata-se de um problema muito grave que tem de ser confrontado tanto pelos africanos como pelo mundo em geral".
O relatório indica que Suiça, Reino Unido, Alemanha e Noruega são os países exportadores mais transparentes, enquanto Irão, Coreia do Norte, Rússia, África do Sul e Israel são os menos transparentes.



