Áudio: Paz na Colômbia tem importância simbólica para o mundo, diz Guterres

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Após reunião com presidente do país, Juan Manuel Santos, secretário-geral da ONU reafirmou apoio ao governo e ao povo da Colômbia no processo de paz; segundo António Guterres, Missão de Verificação da ONU no país é sobretudo uma missão de solidariedade; ele falou a jornalistas na capital colombiana, Bogotá.

António Guterres e Juan Manuel Santos em entrevista a jornalistas. Foto ONU.

Monica Grayley, da ONU News em Nova Iorque.

Ouça e leia a íntegra da declaração de António Guterres a jornalistas neste sábado, 13 de janeiro, no Palácio Presidencial em Bogotá após reunião com o presidente do país. (Discurso em espanhol)

“Caro presidente,

Muitíssimo obrigado por estas palavras tão amigáveis de solidariedade, de hospitalidade admirável como sempre en Colômbia.

Se me permitem, vou falar em portunhol, que não é uma língua porque não tem território, nem povo, mas sobretudo porque não tem gramática. Então, me desculpem, de antemão, pelos erros que cometerei a seguir.

Esta missão é claramente uma missão de solidariedade com Colômbia e com o povo colombiano. Em um momento histórico e de enorme importância para a Colômbia, para a America Látina e para o mundo.

Solidariedade e compromisso: compromisso com o apoio ao governo e ao povo da Colômbia na construção da paz. O objetivo fundamental mo mundo de hoje é obter a paz. E, infelzimente, o que estamos vendo em todas as partes é uma paz cada vez más difícil de se garantir.

Hoje, temos inclusive uma nova ameaça nuclear, que já não víamos desde o tempo da Guerra Fria. E quando olhamos para o Oriente Médio, a África e tantas outras partes do mundo, vemos que cada vez mais, existem conflitos novos e que os velhos conflitos não são solcionados.

E justamente por isso, o que ocorre em Colombia, neste momento, é de uma importância simbólica fundamental para o mundo.

Eu creio que é dever de todos os cidadãos do mundo apoiar a fundo o processo de construção da paz na Colômbia produzido pelo povo colombiano.

Sabemos que é um processo complexo.

Eu me considero um velho amigo da Colômbia. Trabalhei com o país durante 10 anos como Alto Comissário da ONU para os Refugiados, e pude constatar que a Colômbia foi o país mais generoso na definição de um marco institucional jurídico e concreto de reconhecimento dos direitos e do apoio às pessoas deslocadas internamente em todo o mundo.

Com todas as dificuldades práticas na sua aplicação, mas é o marco institucional e legal mais avançado do mundo.

Eu tive ainda a oportunidade de conhecer a coragem com que aprovaram as leis sobre as vítimas, a restituição de terras, com todas as dificuldades e as complexidades do processo.

E isso me faz sentir uma grande admiração pela determinação com a qual o povo colombiano sempre enfrentou, assim como o presidente Santos também o fez, com relação aos desafios difíceis do conflito no país.

Por outro lado, sempre senti durante as visitas que fiz aqui no passaso, que em diferentes partes do país, esta dualidade – de uma Colômbia muito desenvolvida, que vemos aqui em Bogotá, por exemplo. Estamos em Bogotá como poderíamos estar em Nova Iorque, em Londres ou Paris.

É um país desenvolvido com uma economia vibrante, uma sociedade civil muito ativa, um país com uma das democracias mais antigas do mundo, um país com processos de desenvolvimento extremamente bem-sucedidos.

Mas por outro lado, lembro-me de uma visita que fiz ao Chocó, onde havia uma Colômbia periférica, onde o Estado não se fazia presente.

Então, é preciso reconhecer que isso não é somente um processo de reconstrução da paz. Eu fiquei muito impressionado com o compromisso da reunião que tivemos como o presidente Santos e com membros do Governo, e isso foi tambiém claramente manifestado pelo governo.

António Guterres em entrevista a jornalistas na Colômbia. Foto ONU

Não se trata simplesmente de um processo de construção da paz, mas também de garantir a presença do Estado na totalidade do território colombiano, com a presença administrativa, a presença da segurança, mas também a presença de serviços públicos, educação, saúde, a presença no marco do desenvolvimento, à sociedade civil, ao setor privado.

É um enorme desafio. É algo que não acontece por milagre, de uma hora para outra.

Mas quero afirmar aqui todo o compromisso das Nações Unidas no apoio ao governo colombiano neste projeto de enorme importância, para construir a paz, mas ao mesmo tempo construir uma democracia inclusiva, capaz de mobilizar todo o território nacional com os benefícios do desenvolvimento.

Este é um grande desafio, mas um desafio que conta com todo o nosso apoio e todo o nosso compromisso.

Este é um momento ainda em que a Colômbia está sofrendo o impacto da presença de centenas de milhares de pessoas qu saem da Venezuela. Quero também aqui manifestar todo o apoio das Nações Unidas ao governo e ao povo colombiano neste esforço humanitário e de acolhida de todas essas pessoas. E quero dizer que estamos à disposição inclusive para mobilizar os apoios internacionais que sejam possíveis porque o impacto, naturalmente, se sente no dia-a-dia das comunidades e das pessoas, sobretudo em áreas que não são as áreas mais desenvolvidas do país.

E quero ainda manifestar o agradecimento das Nações Unidas por todos o compromisso da Colômbia e de sua embaixadora, a representante permanente do país, e do Governo, com todas as reformas para fazer das Nações Unidas uma organização capaz de responder às aspirações e às necessidades dos povos do mundo. E também o compromisso da Colômbia com todos os processos multilaterais de manutenção da paz.

Mas, eu diria que Colômnbia tem um papel pioneiro na Agenda 2030, nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e na luta contra a mudança climática. A Colômbia está na linha de frente.

Em primeiro lugar: a Colômbia sofre primeiramente o impacto das mudanças climáticas que já existem. E num mundo onde corremos o risco de perder a batalha se não avançamos de forma mais rápida, o compromisso e o exemplo colombianos têm para nós uma importância fundamental.

Quero, em todos os aspectos, manifestar nosso compromisso com a paz. Não existe nenhuma justificativa para a violência armada. A paz é a única resposta que hoje pode levar à solução dos problemas da pobreza, do desenvolvimento e aos problemas da igualdade e da democracia.

Nosso compromisso com a paz na Colômbia é total, estamos totalmente à disposição para apoiar o que é a experiência mais importante no mundo que prova que, felizmente, nem todos os desafios que enfrentamos no mundo atual estão sem resposta.

Aqui, existe uma resposta, há uma resposta forte que tem todo o nosso apoio.”

FIM

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 19 DE JANEIRO DE 2018
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