Zeid quer enviar nova missão a Mianmar para apurar violência a rohingyas

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Alto comissário de direitos humanos cita preocupações "extremamente graves" e reitera que só uma determinação legal de um tribunal competente pode solucionar situação.

Zeid Al-Hussein alertou sobre as ações do governo para “desumanizar” os rohingyas. Foto: Unicef/Brown

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O Conselho de Direitos Humanos realizou, esta terça-feira em Genebra, uma reunião especial sobre Mianmar. No encontro, o órgão analisou o informe do alto comissário de Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, sobre a violência contra a minoria rohingya.

Zeid alertou sobre as ações do governo para “desumanizar” os rohingyas.

Subsistência

Ele citou tiros arbitrários ou à queima-roupa, uso de granadas, esfaqueamentos, espancamentos até a morte, incêndio de casas, danos físicos e mentais incluindo crianças. Há relatos ainda de tortura, maus-tratos, violência e abuso sexual,  estupros e deslocamentos forçados.

O alto comissário questionou se perante estas situações "alguém poderia descartar a presença de elementos de genocídio" na violência aos rohingya.

Ele disse que essa "é uma determinação legal que um tribunal competente pode fazer", mas destacou que as preocupações são extremamente graves e carecem de verificação.

Na reunião, a Comissão de Inquérito Internacional sobre o Mianmar declarou que examina "de forma profunda" as alegações sobre se foi cometido genocídio ou crimes contra a humanidade a minoria rohingya.

Resposta

O líder do grupo de peritos, Marzuki Darusman, disse ao Conselho de Direitos Humanos que ainda não se chegou a nenhuma conclusão sobre essas questões.

Cerca de 626 mil pessoas fugiram para Bangladesh desde outubro de 2016. O número equivale a mais da metade de rohingyas que vivem no estado de Rakhine, destacou Zeid.

O fluxo de rohingyas aumentou em agosto de 2017, quando o governo de Mianmar declarou que a sua campanha no norte de Rakhine era em resposta aos ataques.

Zeid Al-Hussein pediu ao Conselho dos Direitos Humanos que considere fazer um pedido à Assembleia Geral da ONU de um "novo mecanismo imparcial e independente sobre abusos e violência contra os rohingya".

A tarefa do grupo seria complementar ao trabalho da missão de investigação internacional sobre a recente onda de violência e abusos, para ajudar nas investigações criminais individuais dos responsáveis pelos crimes.

*Apresentação: Monica Grayley.

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