Unicef alerta para tráfico de menores "por encomenda" no mundo digital

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Agência aborda situação da "Criança no mundo digital"; novo relatório destaca que governos e setor privado devem ter papel relevante para proteger os menores dos perigos online e aumentar acesso a conteúdos seguros.

Foto: Unicef/ Herwig

Manuel Matola, da ONU News em Nova Iorque.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, considera que milhares de crianças estão expostas a novos riscos no mundo digital.

Num estudo lançado esta segunda-feira, agência destaca que as redes fechadas, conhecidas como a DarkNet,  permitem que a exploração, o tráfico e o abuso sexual de menores sejam "feitos por encomenda".

Setor privado

No relatório de 2017 sobre a situação da "Criança no mundo digital", a agência destaca que a forte presença de aparelhos móveis na vida dos menores tornou o acesso online menos controlado e, potencialmente, mais perigoso.

Em declarações à ONU News, o representante do Unicef em Angola, Abubacar Sultan, reconheceu os riscos da internet, mas destacou as vantagens.

"Os riscos associados à idade digital estão lá, são evidentes. Podem em alguns casos agravar sobretudo as condições de vulnerabilidade de crianças à violência, ao abuso e à exploração. Mas, os benefícios são muito maiores. Por um lado, os riscos podem ser prevenidos e estando prevenidos deveríamos focalizar bastante, sobretudo, na vertente de benefícios criando uma oportunidade para, sobretudo, aqueles que são mais desfavorecidos tenham também acesso aos benefícios desta idade digital e possam fazer parte deste mundo".

O documento cita as diferentes formas como a tecnologia afeta sobretudo a vida das crianças desfavorecidas e práticas comerciais que criam políticas eficazes em benefício dos mais novos.

Perigos online

Segundo o Unicef, os governos e o setor privado têm um papel relevante. A agência considera que estes não acompanharam o ritmo das mudanças da internet para proteger os menores dos perigos online e aumentar o acesso a conteúdos seguros.

O director-executivo do Unicef, Anthony Lake, afirmou que o maior desafio num mundo digital é "mitigar os riscos e simultaneamente maximizar os benefícios da internet", uma vez que quer "para o melhor e para o pior, a tecnologia digital é um fato irreversível" no dia-a-dia das crianças.

O documento também destaca as desigualdades regionais existentes no mundo digital.

Mundo digital

Os jovens africanos são os menos ligados à rede global: três em cada cinco não têm acesso ao mundo digital. Na Europa, apenas um em cada 25 jovens não está ligado à rede.

A nível mundial, os jovens representam a faixa etária com mais acesso à rede, representando 71% dos atuais 7,6 mil milhões de habitantes do planeta.

De acordo com o diretor-executivo do Unicef, "as políticas, práticas e produtos digitais deveriam refletir melhor as necessidades, perspetivas e vozes das crianças".

O relatório da Unicef sobre "Criança no mundo digital" considera importante que esse grupo seja protegido dos perigos online, incluindo abusos, exploração, tráfico, assédio virtual, ou cyberbulismo, e a exposição a materiais inapropriados.

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