Portugal lidera na cobertura de saúde universal entre países lusófonos

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Relatório global revela que ter que arcar com custos de saúde privada pode empurrar mais de 100 milhões de pessoas à pobreza extrema em todo o mundo; África Subsaariana e sul da Ásia apresentam os maiores desafios.

Em regiões mais prósperas como Ásia Oriental, América Latina e Europa as famílias aplicam pelo menos 10% dos seus orçamentos em despesas de saúde de fundos próprios. Foto: OMS

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

Portugal está à frente dos países lusófonos no acesso à cobertura de saúde, segundo um relatório global da ONU e do Banco Mundial. O documento revela que cerca de 80% dos portugueses têm acesso a serviços básicos de saúde.

Depois de Portugal, vem Brasil com 77%, Cabo Verde com 62% e São Tomé e Príncipe com 54%.

Cuidados

De acordo com o Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde, OMS, pelo menos metade da população mundial não se beneficia de serviços de saúde essenciais no mundo.

Em Moçambique e Timor-Leste, 42% das pessoas têm cobertura universal de saúde. Já na Guiné-Bissau, a proporção é de 39% e por último, aparece Angola com 36%.

O estudo "Acompanhamento da cobertura de saúde universal: relatório de monitoramento global de 2017", revela que grande parte de famílias fica mais pobre por pagar pelos cuidados de saúde do próprio bolso.

Atualmente, 800 milhões de pessoas gastam pelo menos 10% do orçamento doméstico em despesas de saúde que podem ser tanto para elas, como para uma criança doente ou para outro membro da família.

Pobreza extrema

De acordo com o relatório, para cerca de 100 milhões de pessoas essas despesas são altas o suficiente para empurrá-las à pobreza extrema.

O problema obriga-as a sobreviver diariamente com US$ 1,90 ou menos, revela o documento lançado por ocasião do Fórum Universal dos Cuidados de Saúde que decorre em Tóquio.

O relatório destaca a África Subsaariana e o sul da Ásia pelas grandes lacunas em oferecer serviços de saúde. Em outras regiões, serviços básicos como planejamento familiar e vacinação infantil tornam-se mais disponíveis, mas falta proteção financeira tornando difícil que as famílias paguem por esses serviços.

Pagamento

Em regiões mais prósperas como Ásia Oriental, América Latina e Europa as famílias aplicam pelo menos 10% dos seus orçamentos em despesas de saúde de fundos próprios.

As desigualdades nos serviços de saúde ocorrem não somente entre países, mas dentro deles, onde as médias nacionais podem ocultar baixos níveis de cobertura em grupos mais desfavorecidos da população.

*Apresentação: Monica Grayley.

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