Unaids anuncia que cerca de 21 milhões vivendo com HIV estão em tratamento

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Novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas foi lançado às vésperas do Dia Internacional de Luta contra a Aids, em 1º de dezembro; documento destaca o direito à saúde como fundamental para acabar com a doença.

Segundo o documento, no ano 2000, apenas 685 mil pessoas vivendo com o HIV tinham acesso à terapia antirretroviral. Foto: Unaids

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Progresso notável está sendo feito no tratamento para o HIV. Essa é a avaliação do Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV/Aids, Unaids. Um novo relatório, lançado nesta segunda-feira, mostra que o acesso ao tratamento cresceu "significativamente".

Segundo o documento, no ano 2000, apenas 685 mil pessoas vivendo com o HIV tinham acesso à terapia antirretroviral. Até junho de 2017, cerca de 20,9 milhões tinham acesso a medicamentos que salvam vidas.

Determinação e liderança

Para o Unaids, um aumento tão dramático não poderia ter acontecido sem a coragem e determinação de pessoas vivendo com HIV exigindo seus direitos, apoiadas por compromisso firme, financeiro e liderança forte.

O chefe do Unaids, Michel Sidibé, disse que muitas pessoas não se lembram que no ano 2000, apenas 90 pessoas vivendo com o vírus na África do Sul eram tratadas. Atualmente, o país tem o maior programa de tratamento no mundo, com mais de 4 milhões de pessoas.

O documento do Programa da ONU destaca ainda que o aumento no número de pacientes sendo tratados está mantendo mais pessoas com HIV vivas e bem.

Pesquisa científica

Segundo o relatório, pesquisas científicas mostraram que pessoas vivendo com o HIV que estejam em uma terapia antirretroviral efetiva têm probabilidade até 97% menor de transmitir o vírus.

Com o aumento no acesso ao tratamento para grávidas vivendo com HIV, novas infecções entre crianças foram reduzidas rapidamente: em 56% na África Oriental e Austral, a região mais afetada pelo vírus, e em 47% globalmente, entre 2010 e 2016.

Segundo o Programa, os desafios são agora garantir que as 17,1 milhões de pessoas que precisam de tratamento, incluindo 919 mil crianças, possam acessar os medicamentos e colocar a prevenção no topo da agenda de saúde pública, especialmente em países onde o número de novas infecções por HIV estejam subindo.

Direito à saúde

O novo relatório do Unaids, Direito à Saúde, ressalta que as pessoas mais marginalizadas e afetadas pelo HIV ainda enfrentam grandes desafios no acesso a serviços sociais e de saúde que precisam de forma tão urgente.

Ao mesmo tempo, o documento também apresenta exemplos inovadores sobre como comunidades marginalizadas estão respondendo à infecção.

Na Índia, por exemplo, um grupo de trabalhadores sexuais treinou outros como assistentes de enfermagem, fornecendo serviços de saúde livres de estigma para eles e a comunidade de forma mais ampla.

Em Uganda, avós estão tecendo e vendendo cestas tradicionais para que possam pagar a escola de seus netos que perderam os pais para a Aids.

Direitos humanos

Em 2016, cerca de 1,8 milhão de pessoas foram infectadas com o HIV, uma queda de 39% em relação ao pico da epidemia no fim dos anos 90. Na África Subsaariana, a redução foi de 48% desde o ano 2000.

No entanto, novas infecções estão crescendo em um ritmo rápido em países que não expandiram amplamente serviços de saúde e HIV. Na Europa Oriental e Ásia Central, por exemplo, as novas infecções com o vírus cresceram em 60% desde 2010 e as mortes relacionadas à doença em 27%.

O relatório Direito à Saúde do Unaids torna claro que os Estados têm obrigações de direitos humanos de respeitar, proteger e cumprir o direito à saúde.

O documento dá voz às comunidades mais afetadas pelo HIV, incluindo pessoas vivendo com o vírus, trabalhadores sexuais, pessoas que usam drogas, jovens, gays e outros homens que fazem sexo com homens, sobre o que o direito à saúde significa para eles.

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