Sofrimento de migrantes na Líbia é "ultraje" à consciência da humanidade

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Alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, expressou preocupação nesta terça-feira com aumento acentuado no número de migrantes detidos em condições horríveis em centros de detenção no país do norte da África.

Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Pierre Albouy

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, expressou preocupação nesta terça-feira com o aumento acentuado no número de migrantes detidos em condições horríveis em centros de detenção na Líbia.

Ele disse ainda que a política da União Europeia de ajudar a guarda costeira líbia a interceptar e retornar os migrantes no Mediterrâneo era desumana.

Consciência

Para Zeid, "o sofrimento dos migrantes detidos na Líbia é um ultraje à consciência da humanidade".

O chefe de direitos humanos da ONU declarou ainda que "o que já era uma situação muito difícil se tornou catastrófico". Ele defendeu que o sistema de detenção para migrantes na Líbia está "além de reparação" e apenas alternativas podem salvar as vidas dessas pessoas e protegê-las de futuras atrocidades.

Abrir os olhos

Segundo o alto comissário, "a comunidade internacional não pode continuar a fechar os olhos aos horrores inimagináveis suportados por migrantes na Líbia e fingir que a situação pode ser remediada apenas melhorando as condições de detenção".

Ele pediu a criação de medidas domésticas legais e a descriminalização da migração irregular para garantir a proteção dos direitos humanos dos migrantes.

De acordo com o Departamento de Combate à Migração Ilegal da Líbia, 19,9 mil pessoas estavam sendo detidas em instalações sob seu controle no início de novembro, em comparação a cerca de 7 mil em meados de setembro.

Entre 1 e 6 de novembro, especialistas em direitos humanos da ONU visitaram quatro desses centros em Trípoli onde entrevistaram indivíduos que haviam fugido de conflito, perseguição e pobreza extrema em países da África e da Ásia.

Choque

Zeid afirmou que os monitores ficaram "chocados com o que testemunharam: milhares de homens, mulheres e crianças extremamente magros e traumatizados, empilhados uns em cima dos outros, trancados em galpões sem acesso às necessidades mais básicas e privados de sua dignidade humana".

Ele alertou que muitos dos detidos já haviam sido expostos a "tráfico, sequestros, tortura, estupros, trabalho forçado, violência física, fome e outras atrocidades" em seu caminho à Líbia, muitas vezes nas mãos de traficantes.

Mulheres relataram casos de violência sexual, incluindo estupros, nas mãos de contrabandistas e guardas.

Medidas concretas

O Escritório de Direitos Humanos da ONU está fazendo um apelo às autoridades líbias para que tomem medidas concretas para eliminar as violações de direitos humanos nos centros em seu controle.

Outros pedidos incluem que os responsáveis por tais abusos sejam investigados e processados, sinais públicos que essas violações não serão mais toleradas e que os migrantes não sejam detidos e todos os centros abertos.

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