OIT: 4 bilhões de pessoas sem proteção social no mundo

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Número corresponde a 55% da população global; dados são de relatório da Organização Internacional do Trabalho lançado nesta quarta-feira; chefe da OIT em Nova Iorque disse à ONU News que documento enfatiza necessidade de preservar ou ampliar cobertura da proteção social em épocas de crise.

Foto: Banco Mundial/Mohammad Al-Arief

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, lançou nesta quarta-feira um relatório que afirma que apesar de progresso significativo na extensão da proteção social em muitas partes do mundo, esse direito ainda não é uma realidade para a maioria da população.

A ONU News conversou com o diretor do escritório da agência em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, que explicou os principais pontos do relatório.

Redobrar esforços

"De fato, na Agenda 2030, há uma meta de proteção social para todos, que é a meta 1.3. O que o relatório mostra é que nós estamos muito longe de alcançar essa meta. Hoje, 55% da população mundial não está protegida por nenhum tipo de benefício social, quer dizer, por exemplo, apoio às crianças, apoio à maternidade, prestações no caso de invalidez, desemprego, apoio ao idoso, pela aposentadoria por velhice, e apoio à pobreza. Então, isso são 4 bilhões de pessoas que estão excluídas e que se o mundo quiser atingir essa meta da Agenda 2030 tem que redobrar os esforços em termos de cobertura".

Vinícius Pinheiro disse que as variações regionais são muito grandes e falou ainda da situação em países de língua portuguesa.

Lusófonos

"Na África, 82% da população não está coberta por nenhum tipo de benefício e nas Américas esse dado é de 33%. Com relação aos países de língua portuguesa, Portugal é o mais avançado em termos de cobertura. A cobertura da proteção social em Portugal é de 90,2%. Em segundo lugar vem o Brasil. O Brasil tem uma cobertura bastante avançada, hoje 60% da população está protegida, então 40% está desprotegida. No caso dos países africanos, Cabo Verde está claramente acima da média africana, então a cobertura da proteção social em Cabo Verde é de 30,4%, e Moçambique tem uma cobertura muito baixa, 10,9%".

Segundo Pinheiro, não há informações sobre os demais países lusófonos.

Em termos de proteção social, o chefe da OIT em Nova Iorque destacou a importância da "cobertura universal, benefícios adequados e sistemas sustentáveis ao longo do tempo".

Pinheiro ressaltou ainda que "cortar proteção social em épocas de crise não é uma boa política econômica". Ele destacou que o relatório é "bastante enfático sobre a necessidade de preservar ou mesmo ampliar despesas e cobertura da proteção social particularmente em épocas de crise".

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