Ocha: Sem acesso, Iêmen terá "maior fome em décadas" no mundo

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Alerta é do subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Ocha; Mark Lowcock declarou que milhões de pessoas podem ser afetadas.

Uma mulher deslocada internamente e sua filha olham a cidade de Sanaa, no Iêmen, a partir do telhado do prédio onde está abrigada. Foto: Giles Clarke/ Ocha.

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, alertou ao Conselho de Segurança que se o acesso aéreo, marítimo e terrestre não for reaberto no Iêmen, "haverá fome" no país.

Segundo Lowcock, não será uma fome como a vista no Sudão do Sul no início deste ano, que atingiu dezenas de milhares de pessoas ou a que custou a vida de 250 mil na Somália em 2011.

Décadas

Lowcock, que é chefe do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, declarou que está seria a "maior fome que o mundo já viu em décadas, com milhões de vítimas".

Na terça-feira, a ONU havia confirmado que as operações humanitárias para o Iêmen estavam bloqueadas devido ao fechamento de portos aéreos e marítimos no país.

O fechamento ocorreu após a morte de um príncipe saudita e sete outras pessoas na queda de um helicóptero perto da fronteira do Iêmen com a Arábia Saudita, país que lidera a coligação que atua no conflito iemenita.

Cinco medidas

Falando a jornalistas na sede da ONU na quarta-feira, em Nova Iorque, após seu informe ao Conselho de Segurança, Lowcock defendeu a realização de cinco medidas.

Em primeiro lugar, o subsecretário-geral pediu a retomada imediata de serviços aéreos regulares da ONU e de outros parceiros humanitários a Sanaa e Áden, seguida de uma garantia "clara e imediata" de que não haverá outras interrupções a esses serviços.

Lowcock citou ainda: um acordo sobre o posicionamento do navio do Programam Mundial de Alimentos, PMA, na costa de Áden, com garantias de que as funções que ele apoia não serão mais interrompidas; e a retomada imediata do acesso humanitário e comercial a todos os portos marítimos do Iêmen, especialmente para comida, combustível, medicamentos e outros suprimentos essenciais.

Por fim, o chefe do Ocha pediu a redução da interferência, com atrasos ou bloqueios, a todos os navios que tenham passado por inspeção do Mecanismo da ONU de Verificação e Inspeção para que possam seguir em direção aos portos o mais rápido possível.

Segundo o subsecretário-geral, isso seria "muito importante", já que o acesso humanitário através dos portos já "era inadequado mesmo antes das medidas anunciadas em 6 de novembro".

Desde março de 2015, o número de mortos nos combates no Iêmen é de 5.295. Mais de 8,8 mil pessoas ficaram feridas. O país também está passando pela epidemia de cólera de crescimento mais rápido já registrado.

Até o dia 1º de novembro, houve cerca de 895 mil casos suspeitos, mais da metade em crianças, com cerca de 2,2 mil mortes associadas desde 27 de abril.

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