Darfur: ONU insta Sudão a abordar situação de milhões de deslocados

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Escritório de Direitos Humanos da ONU e Operação da União Africana e da ONU na região, Unamid, detalha a situação dos deslocados internos de janeiro de 2014 a dezembro de 2016.

Mulheres deslocadas da área de Jebel Marra em Darfur ao lado de abrigo temporário em Tawilla, Darfur do Norte. Foto: Ocha/Amy Martin

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU pediu ao Governo do Sudão que procure políticas efetivas, transparentes e duráveis para permitir que 2,6 milhões deslocados pelo conflito em Darfur possam voltar para as suas casas de forma voluntária ou sejam integradas às comunidades anfitriãs.

Em comunicado, o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, fez um apelo ao Governo para que aborde questões fundamentais que impedem o retorno dos deslocados. Entre elas estão a violência contínua, incluindo por milícias armadas.

Relatório

Segundo Zeid, a situação é marcada por medos "justificáveis" das pessoas por sua segurança e a falta de serviços básicos, o que as deixa dependentes de ajuda.

Um relatório produzido pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU e pela Operação da União Africana e das Nações Unidas em Darfur, Unamid, detalha a situação dos deslocados internos de janeiro de 2014 a dezembro de 2016.

O período teria sido muito marcado pela campanha militar "Verão Decisivo" do Governo, que teria levado a deslocamento em massa da população civil.

O relatório afirma que há "motivos razoáveis" para acreditar que as operações militares resultaram em violações graves do direito humanitário internacional e dos direitos humanos.

Violência

O documento menciona que apesar de um cessar-fogo entre o Governo e vários grupos armados de oposição, a violência contra os deslocados internos continua generalizada e a impunidade a violações de direitos humanos continua.

Tensões entre grupos étnicos, frequentemente por conta de terras, continuam a acontecer, muitas vezes levando a violência e mais deslocamento.

Na maioria dos 66 campos na região de Darfur, a Unamid ainda documenta casos de tiroteios aleatórios durante a noite, assédio a deslocados e violência sexual, incluindo estupro.

Paz

As vítimas citaram a ausência de postos policiais, a falta de confiança nas autoridades, o estigma social e o medo de represálias como razões para não relatarem os ataques.

Segundo o representante especial da Unamid, Jeremiah Mamabolo, a suspensão dos combates forneceu uma oportunidade de focar na situação dos deslocados internos, que afirmou ser "crucial" para chegar à paz.

Mamabolo fez um apelo ao Governo do Sudão para que "implemente os elementos chave estabelecidos no Documento de Doha para Paz em Darfur" e renovou seu pedido a todos os lados que se envolvam plenamente nas ações para levar paz duradoura à região.

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