COP 23 termina renovando sentido de urgência sobre ação climática

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Secretário-geral da ONU defendeu aumentar ambição e disse ser preciso “fazer mais em cinco áreas de ação: emissões, adaptação, financiamento, parcerias e liderança”; Brasil candidatou-se para abrigar COP 25, em 2019.

Crianças da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, em Bonn, na Alemanha. Foto: Unfccc

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.*

Em meio a relatórios científicos alarmantes sobre o aquecimento do planeta, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança Climática, COP 23, acabou nesta sexta-feira em Bonn, na Alemanha, renovando um sentido de urgência e necessidade de maior ambição para combater a mudança climática.

O encontro, presidido por Fiji, foi realizado entre 6 e 17 de novembro, um ano após a entrada em vigor do Acordo de Paris, em 4 de novembro do ano passado. Até o momento, 170 países ratificaram o tratado.

António Guterres

O secretário-geral da ONU, António Guterres, discursou na abertura do segmento de alto nível da conferência, na presença de chefes de Estado e governo.

Para Guterres, a mudança climática é o “desafio que define” esta época. Ele defendeu que aumentar a ambição é um “dever” de todos, de uns para os outros e para as futuras gerações.

Para Guterres, é preciso “fazer mais em cinco áreas de ação: emissões, adaptação, financiamento, parcerias e liderança”.

Assista ao vídeo do discurso do secretário-geral da ONU, António Guterres, na COP 23 (em inglês).

Iniciativas

Além das negociações entre as partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Unfcc, diversas iniciativas de ações climáticas, compromissos e parcerias foram anunciados nas áreas de energia, água, agricultura, oceanos, habitação e florestas, entre outras.

Uma dessas iniciativas é a Aliança para Descarbonização dos Transportes, lançada por Portugal, França, Holanda, Costa Rica e a plataforma Processo de Paris sobre Mobilidade e Clima, Ppmc.

Brasil e Portugal

Em Bonn, o vice-ministro do Ambiente de Portugal, José Mendes, falou com a ONU News sobre o projeto. Assista.

Financiamento e resiliência também estiveram no centro das discussões da conferência.

Já o vice-ministro do Meio Ambiente do Brasil, Marcelo Cruz, falou à ONU News que país tem metas ambiciosas, pois de outra maneira o mundo não irá manter a temperatura abaixo dos 2º Celsius, como defende o Acordo de Paris.

Segundo Cruz, o plano do Brasil é reduzir as emissões de dióxido de carbono em 43% até 2030.

Sustentabilidade e adaptação

O diretor de coordenação da empresa Itaipu Binacional, Hélio Gilberto, também participou da COP 23 e falou com a ONU News sobre a sustentabilidade na produção diária.

A mudança climática também coloca milhões de pessoas num círculo vicioso de insegurança alimentar, má nutrição e pobreza, segundo um alerta feito pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO.

O diretor-geral da agência, José Graziano da Silva, afirmou que o mundo não está fazendo o suficiente para enfrentar o que ele chama de uma “imensa ameaça”. E os países que correm maior risco são os menos desenvolvidos e as pequenas ilhas em desenvolvimento.

A agência lançou um relatório durante a COP 23, em Bonn. O documento “Rastreando Adaptação em Setores Agrícolas”, numa tradução livre, oferece metodologias para acompanhar as medidas de adaptação do clima na agricultura.

Ciência

Cerca de 27 mil pessoas participaram da conferência, realizada em meio a sinais alarmantes da ciência. Ao anunciar sua ida à conferência, o secretário-geral, António Guterres, declarou que o evento aconteceria num “momento crucial”, já que nas semanas anteriores uma série de relatórios fizeram soar sinais de alerta sobre o clima.

Uma semana antes da abertura da COP 23, a Organização Mundial de Meteorologia, OMM, divulgou um relatório anunciando um “crescimento perigoso do dióxido de carbono na atmosfera nas últimas sete décadas, chegando a nova alta em 2016″.

Já um relatório da agência ONU Meio Ambiente mostrou ser provável que os níveis de concentração de gases de efeito estufa na atmosfera em 2020 sejam tão altos que seja “extremamente difícil” alcançar as metas de redução do Acordo de Paris para 2030.

Próximos eventos

A COP 23 será seguida de uma série de encontros sobre mudança climática, agendadas para antes da Cúpula Climática da ONU, em setembro de 2019, incluindo a COP 24, que será realizada em Katowice, na Polônia.

O Brasil se ofereceu para abrigar a COP 25, em dezembro de 2019.

*Com reportagem de Jerome Bernard, da ONU News em Bonn.

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