Angola e Moçambique com mais mortes por malária entre os lusófonos

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Os dois países continuam no top 15 das nações com casos fatais; Brasil já não tem o maior fardo da malária nas Américas; São Tomé e Príncipe e Timor-Leste não notificam pacientes desde 2014.

Foto: Unicef/Hallahan

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

Angola e Moçambique estão entre as 15 nações onde houve 80% das mortes por malária em 2016, segundo a Organização Mundial da Saúde, OMS.

O Relatório Mundial da Malária, publicado em Genebra, revela que em território angolano mais de 15,9 mil pessoas morreram dos 7,6 milhões de pacientes. O número equivale a 3 % das infeções em países com mais casos fatais.

Pacientes

Em Moçambique, pelo menos 1.865 pessoas perderam a vida por malária entre os mais de 15,4 milhões de casos registados no ano passado. O número corresponde a 4% das vítimas da infeção nos países mais afetados.

A malária provocou a morte de 191 pessoas na Guiné-Bissau. Entretanto, o relatório regista números mas baixos em Cabo Verde onde uma pessoa perdeu a vida dos mais de 8,3 mil pacientes.

São Tomé e Príncipe não notifica casos de malária desde 2014. O mesmo acontece em Timor-Leste onde há dois anos não ocorrem mortes por causa da malária.

Brasil

O Brasil teve 37 óbitos registados entre os mais de 1,3 milhão de casos e deixou de ser o país com o maior fardo da doença nas Américas.

Esse lugar é agora ocupado pela Venezuela que reportou um aumento em mais de 75% do total de pacientes registados na região. Os dois países contribuíram para a subida da incidência da malária para 36% nas Américas.

A OMS alerta que após um sucesso global sem precedentes nas ações para controlar malária, o progresso estancou. A região africana continua com cerca de 90% dos casos e das mortes devido à malária em todo o mundo.

Em 2016, foram notificados 216 milhões de pacientes com malária em 91 países, o que corresponde a mais cinco milhões em relação a 2015. Cerca de 445 mil pessoas perderam a vida, menos mil em relação ao ano anterior.

Metas

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que se não houver uma ação urgente, o mundo corre o "risco de retroceder e não atingir os objetivos globais da malária para 2020 e além".

O plano da agência era baixar em cerca de 40% a incidência e as taxas de mortalidade pela malária nos próximos três anos. O relatório destaca que o mundo não está na via certa para atingir essas metas.

O maior desafio é a falta de fundos que se reflete em lacunas de cobertura para a oferta de redes tratadas com inseticidas, medicamentos e outros meios essenciais para salvar vidas.

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