Unfpa: 20% das mulheres pobres têm pouco acesso a serviços de saúde

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Relatório “O Estado da População Mundial 2017″ fala sobre a ligação entre a desigualdade em saúde, direitos das mulheres e disparidade econômica.

Foto: Banco Mundial/Dominic Chavez

Denise Costa da ONU News, em Nova Iorque.

O Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, lança esta terça-feira o relatório “O Estado da População Mundial 2017″, com destaque para as desigualdades existentes em saúde e direitos reprodutivos.

Diferenças   

De acordo com a agência da ONU, a desigualdade é entendida sobretudo como uma distribuição díspar de renda ou riqueza. No entanto, trata-se de uma realidade mais complexa, reforçada por diversas formas de disparidades, como diferenças entre sexos, etnias e residentes de áreas urbanas ou rurais.

Segundo o relatório, a desigualdade tem muitas faces, sendo cada uma delas um sintoma e causa de outra desigualdade.

Mulheres

Em Nova Iorque, a ONU News conversou com o assessor sênior do Unfpa, Elizeu Chaves, que explicou como esse elemento chave do relatório afeta os países lusófonos.

"Dando um destaque para um tema que muitas vezes fica de fora da discussão sobre desigualdades, é o acesso à saúde e direitos sexuais reprodutivos. O relatório apresenta as várias regiões geográficas e mostra as transformações que têm ocorridos nos patamares de distribuição de renda. Retrata o continente africano, a América Latina e mostra como nos países em desenvolvimento em geral a demanda pelo planejamento reprodutivo é bem maior entre mulheres em domicílios que compõem os 20% da população mais pobre. Ao falar dos países lusófonos, acaba por falar nos países em desenvolvimento também, é interessante mostrar como esse dado geral do relatório tem implicação direta nos países lusófonos."

Moçambique

Segundo o especialista do Unfpa, o documento relata o sucesso de uma iniciativa da agência e parceiros em Moçambique. O programa Geração Biz oferece à juventude moçambicana serviços de saúde sexual e reprodutiva.

"Envolve os próprios jovens na programação de saúde, educação, e promoção de desenvolvimento humano. São mais de 5 mil conselheiros para, justamente, enfrentar os desafios que os jovens têm no acesso à informação e à orientação nessa fase tão especial da vida, que é uma fase que o relatório trata. Acho que esse é um exemplo positivo e interessante do projeto Biz que deve ser realçado."

Gênero

Para além das desigualdades em saúde, o documento também aborda as desigualdades de gênero e econômicas entre homens e mulheres. Em 2015, aproximadamente 50% das mulheres participavam na força de trabalho global, em comparação a 76% dos homens.

As mulheres têm probabilidade maior que os homens de ficarem desempregadas.  No mundo todo, 6,2% das mulheres estão desempregadas, em comparação aos 5,5% dos homens.

O estudo também se refere ao casamento infantil, alertando que 15 milhões de meninas em todo o mundo casam-se ou entram em união de facto antes de completar 18 anos. No Brasil, 36% de jovens entre os 20 e 24 anos casaram antes de completar 18 anos de idade.

Ações

O relatório enumera diversas metas que podem ajudar a diminuir as disparidades entres gêneros.

Entre elas estão: o aumento da assistência médica pré-natal e maternal, eliminação de leis discriminatórias que impedem adolescentes ao acesso a informações e serviços de saúde e promoção de serviços, como creche, para que as mulheres possam ingressar ou permanecer na força de trabalho remunerada.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 17 DE NOVEMBRO DE 2017
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