ONU: Crise humanitária no Iémen "gera sofrimento intolerável"

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Conselho de Segurança acompanhou informes sobre situação humanitária e esforços de mediação; cólera afetou 800 mil pessoas no país; pelo menos 17 milhões de iemenitas enfrentam insegurança alimentar; mais de um terço dos distritos enfrentam grave risco de fome no país árabe.

Foto: Unicef/Fuad

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque. 

Passados três anos desde o início do conflito no Iémen, as Nações Unidas alertaram esta terça-feira que a crise humanitária do país "provocada pelo homem, gera sofrimento intolerável".

Falando no Conselho de Segurança, o diretor de Operações do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, descreveu o drama dos iemenitas num momento em "o conflito não dá sinais de chegar ao fim".

Bombardeamentos

John Ging afirmou que o custo humano do conflito é assustador com ataques a bomba, bombardeamentos e confrontos que continuam no terreno e em áreas urbanas onde civis são mortos e feridos. Ele declarou que a infraestrutura essencial com que os iemenitas contam está a ser destruída.

Mais de 15 milhões pessoas não têm acesso à água, ao saneamento e nem a cuidados básicos de higiene. Destas, cerca de 7 milhões correm risco de fome.

Desde abril, o país árabe enfrenta uma epidemia de cólera que infetou mais de 800 mil pessoas e provocou pelo menos 2,1 mil mortes. O número de vítimas é considerado o maior jamais registado num ano.

Assentamentos

Ging disse que mais de 2 milhões de desalojados vivem em assentamentos superlotados, inseguros, anti-higiénicos, sem dignidade e espontâneos expostos a um sofrimento intolerável. Os seus abrigos são feitos de farrapos, de sucatas de veículos, de cartões ou do que possam encontrar nas ruas.

A crise humanitária do Iémen é considerada a maior do mundo com 20,7 milhões de pessoas que necessitam de assistência humanitária.

Derramamento de sangue

O enviado especial do secretário-geral para o país disse que o derramamento de sangue e a destruição devem terminar e que "não há desculpas e nem justificações" para a situação do Iémen.

Ele disse que os iemenitas pedem, às Nações Unidas uma solução relativa ao pagamento de salários, "enquanto há outros que dificultam as conversas como se fossem ignorantes do sofrimento de milhões de iemenitas".

Ismail Ould Cheikh Ahmed disse haver "muitos poderosos no Iémen beneficiam-se do conflito atual", num momento em que os seus cidadãos "enfrentam o pior sofrimento na história" do país.

O enviado pede um impulso aos esforços políticos pelo fim do conflito iemenita, que deixou cerca de 17 milhões de vítimas de insegurança alimentar e mais de um terço dos distritos em grave risco de fome.

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