Micro e pequenas empresas são "armas contra o desemprego"

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Declaração é do chefe da Organização Internacional do Trabalho, OIT, em Nova Iorque, após lançamento de relatório; Vinícius Pinheiro afirmou que 35% do total do emprego mundial é gerado nas micro e pequenas empresas; relação é de 22% no Brasil e chega a 42% em Portugal.

Cerca de 35% do total do emprego é gerado nas micro e pequenas empresas. Foto: © Arne Hoel/Banco Mundial

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Com mais de 201 milhões desempregados em 2017, um aumento de 3,4 milhões em relação a 2016, um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, destaca a importância de micro e pequenas empresas na criação de empregos.

O chefe da OIT em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, disse à ONU News que as micro e pequenas empresas, que têm menos de 20 empregados, são "uma das maiores armas contra o desemprego". Segundo Pinheiro, o relatório mostra o papel dessas empresas na "geração de emprego e no crescimento econômico".

Brasil e Portugal

"Em termos globais, 35% do total do emprego é gerado nas micro e pequenas empresas. É claro que a situação varia de acordo com as regiões, para você ter uma ideia, por exemplo, em Portugal essa relação chega a 42% (…) No Brasil, essa relação é de 22% em relação ao total do emprego e de 53% em relação aos empregos formais, empregos com carteira assinada. De acordo com dados do Ibge, as micro e pequenas empresas correspondem a cerca de 27% do PIB do Brasil".

Vinícius Pinheiro alertou, no entanto, que apesar do crescimento no número de micro e pequenas empresas na última década, este crescimento se estagnou nos últimos anos. Para ele, essas empresas não estão recebendo a "atenção necessária para que esse potencial de impacto sobre o emprego possa ser melhor explorado".

Inovação e relações de trabalho

Na entrevista, o chefe da OIT em Nova Iorque destacou também a questão da inovação no processo produtivo, ressaltando que esta traz maior produtividade e competitividade às micro e pequenas empresas.

"Mas, por outro lado, aquelas empresas que estão mais na ponta da inovação, o que está acontecendo é uma mudança nas relações de trabalho. Um aumento da contratação dos trabalhadores temporários. Isso ocorre também por meio da subcontratação ou da terceirização que, em alguns casos, se reflete em salários menores e condições de trabalhos mais desfavoráveis. O que o relatório mostra é que o investimento e treinamento da mão-de-obra, ele dá mais resultados positivos em termos de produtividade e competitividade do que a flexibilização nas relações de trabalho".

Vinícius Pinheiro destacou ainda que as "micro e pequenas empresas em geral são uma porta para a participação da mulher do mercado de trabalho".

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