Agências da ONU alertam para aumento da fome na América Latina e Caribe

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FAO e Opas indicam que falta de comida aumentou em seis países da região e agora afeta 2,4 milhões de pessoas; relatório das agências mostra que sobrepeso continua sendo um problema de saúde pública ao nível regional.

A FAO e a Opas pedem aos países que transformem seus sistemas alimentares. Foto: FAO/Rhodri Jones

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Após décadas de avanços, o número total de pessoas passando fome na América Latina e no Caribe subiu em 2016. Ao mesmo tempo, o excesso de peso afeta homens e mulheres de todas as faixas etárias e continua sendo um problema de saúde pública nas Américas.

As conclusões estão no Panorama de Segurança Alimentar e Nutrição na América Latina e Caribe 2017 publicado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, e a Organização Pan-americana da Saúde, Opas.

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Segundo o estudo, após muitos anos de "progresso gradual", em 2016 cerca de 42,5 milhões de pessoas na região não tinham comida suficiente para atender suas necessidades calóricas diárias. O número representa um aumento de 6%, ou 2,4 milhões de pessoas subalimentadas a mais que no ano anterior.

Se essa tendência não mudar, o representante regional da FAO, Julio Berdegué, afirmou que será "muito difícil que a região alcance o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 2 de erradicar a fome e a desnutrição até 2030".

Para Berdegué, a "região deu um passo significativo para trás em uma luta que estava ganhando".

Haiti

Embora os índices permaneçam baixos na região, em comparação a outras regiões no mundo, há sinais de que a situação esteja piorando, especialmente na América do Sul, onde a fome subiu de 5% em 2015 para 5,6% em 2016.

Na área da Mesoamérica, 6,5% da população foi afetada pela no ano passado. No Caribe não houve aumento no índice, mas a prevalência da fome é de 17,7%.

A pior situação em termos de prevalência da fome é no Haiti, onde 47% da população, ou cerca de 5 milhões de pessoas, estão sofrendo com o problema.

Desnutrição

Apesar da fome ter aumentado em nível regional, 21 países da região registraram uma queda nos índices de desnutrição.

No Brasil, em Cuba e no Uruguai, a prevalência do problema é menor que 2,5%. Já em países como Argentina, Barbados, Chile, México e Trinidad e Tobago, a taxa é menos de 5%.

Sem tolerância

O representante regional da FAO defendeu que "não se pode tolerar" os índices atuais de fome nem de obesidade.

Para abordar essa situação, a FAO e a Opas pedem aos países que transformem seus sistemas alimentares. O objetivo é parar o avanço da fome e da desnutrição, prestando atenção especial à condição das pessoas e das áreas mais vulneráveis.

O relatório destaca que apenas um "grande esforço regional" pode reverter a atual tendência e fazer com que a região América Latina e o Caribe volte a ser um exemplo na luta contra a fome e desnutrição.

Obesidade

A publicação também mostrou que na América do Sul 7,4% das crianças com menos de cinco anos, ou 2,5 milhões, estão com sobrepeso ou obesidade. Na América Central esse índice é de 6% e no Caribe, 6,9%.

Além disso, segundo o relatório, um terço dos adolescentes e dois terços dos adultos estão acima do peso ou são obesos. As mulheres são as mais afetadas.

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