Síria: Comissão cita "crimes impensáveis" contra civis apesar de avanços

Atos hostis incluem deslocamentos forçados, ataques deliberados e uso de armas químicas; presidente da Comissão, brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro disse que novas medidas ajudaram a baixar bombardeios aéreos em algumas áreas.

Foto: Unicef/Souleiman

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.

A Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria destaca que houve avanços das partes em conflito com a redução da violência em áreas localizadas, mas aponta que continuam ocorrendo "crimes impensáveis contra civis".

O documento, apresentado nesta terça-feira em Genebra, menciona que dentro e fora dos campos de batalha ocorrem "flagrantes violações do direito internacional". As ações incluem "deslocamentos forçados, ataques deliberados contra civis e o uso de armas químicas".

Consideração

Falando à ONU News, de Genebra,  o presidente da Comissão, Paulo Sérgio Pinheiro, revelou que o conflito envolve situações complexas.

"Mais uma vez fica bem claro de que a responsabilidade fundamental pela continuação dessa guerra é o envolvimento de um largo número de países que ofereceram armas tanto ao lado da Síria como aos grupos rebeldes. Essa duração dessa guerra se deve exatamente porque não se leva em consideração os interesses diretos da população síria e sim de cada um dos Estados-membros. E é essa a dificuldade. Não me surpreende que a guerra entre no seu sétimo ano dada à complexidade das partes em conflito e da infinidade, centenas de grupos armados, e por parte do governo da Síria, mas não se deve desesperar."

Para o chefe da Comissão, uma razão de esperança é o cessar-fogo junto à fronteira com a Jordânia no sul da Síria e a iniciativa de Astana, no Cazaquistão, que definiu áreas que levaram à diminuição dos bombardeios.

Coalizão

"Graças a essas várias iniciativas, a população está menos atingida pelos bombardeios aéreos. Claro que a população sob controle do Estado Islâmico continua sofrendo a dominação, tanto do Estado Islâmico como também dos bombardeios. Numa parte do relatório, o destaque são exatamente os ataques feios pela coalizão coordenada pelos Estados Unidos que resultaram em um número importante de vítimas, justamente porque a coalizão americana não tomou os devidos cuidados para não atingir alvos não-militares."

O informe destaca ainda a continuação da ação de grupos terroristas Hay’at Tahrir al-Sham e o Estado islâmico no Iraque e Levante, Isil, com táticas brutais contra civis.

O informe atribui a grupos terroristas e a outros grupos armados a ação contra minorias religiosas com atentados suicidas e carros-bomba, além do uso de atiradores e da captura de reféns que inclui em áreas controladas pelo governo sírio.

O documento revela que continuam as principais tendências e padrões das violações de direitos humanos e do direito humanitário que foram relatados nos documentos anteriores deste ano.

Quatro Cidades

Um das tréguas em vigor é o chamado “Acordo de Quatro Cidades” que incluiu os acordos de evacuação que resultaram no deslocamento forçado de civis, considerado um crime de guerra.

O relatório revela que grande parte dos deslocados agora sobrevive em condições inadequadas e sem  acesso aos cuidados de saúde.

O apelo às partes em conflito é que se abstenham de acordos que no futuro provoquem o deslocamento forçado de civis para obter ganhos políticos, mas também que garantam uma proteção adequada a todos os sírios.

O documento apela às partes a assegurar os direitos à vida, a alimentos adequados, ao abrigo, à assistência médica e ao retorno à casa.

 

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