Alto comissário da ONU fala sobre possível "limpeza étnica" em Mianmar

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Em discurso ao Conselho de Direitos Humanos, Zeid al Hussein pede à comunidade internacional que ajude refugiados; ele citou ainda "manipulação" para minoria rohingya não possa mais retornar ao país.

Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Pierre Albouy

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

O alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos declarou esta terça-feira , em Genebra, que Mianmar tem de autorizar a entrada de peritos ao país.

Falando ao Conselho de Direitos Humanos sobre a violência à minoria rohingya, Zeid al Hussein disse que apesar de as autoridades não terem permitido a entrada do pessoal do seu escritório, a situação "parece um exemplo de limpeza étnica".

Prova de nacionalidade

Zeid se disse chocado com relatos de que Mianmar estaria a colocar minas terrestres ao longo da fronteira com Bangladesh. Ele repudiou ainda as declarações oficiais de que as pessoas que fogem da violência só terão permissão para retornar se tiverem "prova de nacionalidade".

A Agência da ONU para Migrações, OIM, afirmou que 330 mil pessoas já escaparam dos confrontos.

Para o chefe de Direitos Humanos, essa medida é uma "manipulação cínica" para que um grande número de pessoas seja transferido à força sem a chance de retornar.
Comissão

Ele lembrou que desde 1962 os vários governos de Mianmar despojaram os rohingyas de seus direitos políticos e civis, incluindo o direito à cidadania.

Zeid citou também que isso foi reconhecido pela Comissão Consultiva sobre Rakhine formada pela ministra das Relações Exteriores Aung San Suu Kyi.

O apelo ao Governo de Mianmar é que "deixe de dizer que os rohingyas estariam a incendiar as suas próprias casas e a arrasar com suas próprias aldeias".

Boa vontade

Para Zeid, trata-se de uma "completa negação da realidade" que causa grandes danos à posição internacional de um "governo que até recentemente se beneficiava de uma imensa boa vontade".

O outro pedido é que Mianmar acabe com a "cruel operação militar" permitindo que todas as violações ocorridas sejam punidas, e que a população rohingya deixe de ser discriminada.

O chefe de direitos humanos incentivou Bangladesh a manter as fronteiras abertas para os refugiados e pediu o apoio da comunidade internacional.

*Apresentação: Monica Grayley.

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