Migrantes "afogados deliberadamente" por traficantes na costa do Iêmen

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Afirmação é da agência da ONU para migrações, OIM; vítimas seriam da Somália e Etiópia; em cerca de 24 horas, quase 300 pessoas foram forçadas a sair das embarcações.

Funcionário da OIM cobre o corpo de migrante encontrado na praia. Foto: OIM 2017

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que, segundo relatos, até 160 migrantes foram forçados por contrabandistas a se jogar de um barco no mar na costa do Iêmen. Cinco corpos foram encontrados até o momento e cerca de 50 continuam desaparecidos.

O incidente ocorre quase 24 horas após traficantes forçarem mais de 120 migrantes somalis e etíopes ao mar quando se aproximavam da costa de Shabwa, uma província iemenita ao longo do Mar Arábico.

Assistência

Os passageiros esperavam chegar a outros países do Golfo através do Iêmen, nação afetada por conflito. Logo após a tragédia, em uma patrulha de rotina na praia, em Shabwa, funcionários da agência da ONU encontraram covas rasas de 29 migrantes.

Os mortos haviam sido rapidamente enterrados pelos que sobreviveram às ações mortais do contrabandista. A OIM está cooperando com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha para assegurar a atenção adequada aos corpos.

Equipes médicas da agência da ONU também forneceram cuidados urgentes aos 27 migrantes sobreviventes, homens e mulheres, que haviam permanecido na praia; outros deixaram o local antes de serem assistidos.

Vinte e dois migrantes ainda estariam desaparecidos. A média aproximada da idade dos passageiros era 16 anos.

"Chocante e desumano"

Segundo o chefe da missão da OIM no Iêmen, Laurent de Boeck, os sobreviventes contaram que o contrabandista os empurrou ao mar quando viu possíveis autoridades perto da costa.

Eles também falaram que o traficante já havia retornado à Somália para buscar mais migrantes e levá-los ao Iêmen pela mesma rota. O representante da agência declarou que a ação é "chocante e desumana" e que o sofrimento das pessoas nessa rota migratória é enorme.

"Falsa esperança"

Laurent de Boeck lembrou muitos jovens pagam contrabandistas com a "falsa esperança de um futuro melhor".

Desde janeiro de 2017, a OIM calcula que cerca de 55 mil migrantes deixaram a região do Chifre da África em direção ao Iêmen, a maioria buscando melhores oportunidades nos países do Golfo.

Mais de 30 mil destes têm menos de 18 anos e são da Somália e da Etiópia. Um terço seriam mulheres.

Perigo e assistência

A agência afirmou que a jornada é especialmente perigosa durante a atual temporada de ventos no Oceano Índico. Contrabandistas agem no Mar Vermelho e no Golfo de Áden oferecendo promessas falsas a migrantes vulneráveis.

A OIM e seus parceiros trabalham na região para apoiar esses migrantes e fornecer assistência vital aos que tenham sido abusados ou abandonados ao longo da rota.

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