Relatores alertam sobre falta de energia que afeta mais de 2 milhões em Gaza

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Especialistas revelam que população sofre de "disputas políticas entre elites"; crise afeta hospitais, tratamento de água para consumo e esgoto.

Noite na cidade de Gaza. Foto: ONU/Shareef Sarhan (arquivo)

Eleutério Guevane, da ONU News em Nova Iorque.*

Especialistas independentes da ONU alertam que pelo menos 2 milhões de moradores da Faixa de Gaza sofrem com racionamento de energia elétrica. Segundo o grupo, esta é "uma crise humanitária inteiramente causada pelo ser humano".

Em nota divulgada esta quarta-feira, em Genebra, sete relatores de direitos humanos revelam que a falta de energia piorou a crise.

Direito à vida

O racionamento deixou hospitais em condições precárias e agravou a falta de água e esgoto sem tratamento despejados no Mar Mediterrâneo.

Para os especialistas,  o problema é "um fracasso absoluto de todas as partes em defender suas obrigações fundamentais de direitos humanos, incluindo o direito inalienável à vida".

O grupo considera insustentável o fato de a eletricidade estar disponível por seis horas consecutivas no máximo, ou muitas vezes por menos tempo, e depois com períodos de 12 horas de apagão.

Problemas

O grupo afirma que Israel executou uma decisão da Autoridade Palestina de cortar  até 40% da eletricidade que levou ao "agravamento sem precedentes" na prestação de serviços essenciais.

Os relatores mencionam ainda os cortes adicionais causados pela atual disputa entre a Autoridade Palestina e o movimento Hamas sobre o pagamento de impostos sobre combustíveis que levou a piorar a crise de forma significativa.

O pedido a todos os envolvidos na questão é que "resolvam imediatamente seus problemas e não penalizem ainda mais os moradores de Gaza por disputas políticas entre elites".

Bloqueio

A nota apela à comunidade internacional que "não feche os olhos a Gaza" e pede o fim total e imediato dos 10 anos de bloqueio e o encerramento de pontos de passagem tidos como  "punição coletiva contrária ao direito internacional".

Os especialistas chamam alívio ao recente fornecimento de combustível pelo Egito a Gaza mas para os relatores a solução não foi permanente alertando para o impacto severo nos serviços de saúde e em quase todos os aspectos diários.

Serviços

A nota menciona que muitas salas de operação fecharam, serviços básicos de saúde foram cortados e equipamentos de diagnóstico complexos e as intervenções.

O grupo alerta que a água dessalinizada potável está cada vez mais rara e que 100 milhões de litros as águas residuais não tratadas são despejadas por dia no Mar Mediterrâneo, taxa que pode piorar a contaminação do aquífero.

Com várias pessoas no limite da subsistência os peritos alertam que os danos à economia podem ser difíceis de recuperar sendo os "mais pobres e vulneráveis sofrem mais".

*Apresentação: Monica Grayley.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE SETEMBRO DE 2017
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