Guterres destaca papel de líderes religiosos para combater atrocidades

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Plano de ação foi lançado nesta sexta-feira na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque; secretário-geral alertou para discurso do ódio que, segundo ele, é "um dos sinais de alerta mais comuns" de crimes atrozes.

António Guterres participa em reunião na ONU com líderes religiosos de diversas partes do mundo. Foto: ONU/Eskinder Debebe

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Líderes religiosos de diversas partes do mundo se reuniram na sede das Nações Unidas em Nova Iorque nesta sexta-feira para o lançamento de um plano de ação com objetivo de prevenir atrocidades.

No evento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse acreditar no poder de líderes religiosos de "moldar o mundo para melhor". Ele declarou ainda que a fé é "central para esperança e resiliência".

Discurso de ódio

Guterres declarou, no entanto, que ao redor do mundo vê-se como "a religião tem sido torcida, cinicamente manipulada, para justificar incitamento à violência e discriminação".

O secretário-geral citou um "aumento alarmante" no discurso de ódio, online e offline, mencionando mensagens que "espalham hostilidade e ódio e encorajam populações a cometerem atos de violência contra indivíduos ou comunidades, muitas vezes com base em suas identidades".

Para António Guterres, o discurso do ódio "semeia as sementes de suspeita, desconfiança e intolerância" e, com o tempo, pode ter um papel importante em convencer as pessoas de que a violência é "lógica, justificável e até necessária".

Sinal de alerta

Segundo ele, não é surpresa que o discurso de ódio seja "um dos sinais de alerta mais comuns" de atrocidades como genocídio, crimes de guerra e contra a humanidade.

Entretato, o chefe da ONU ressaltou que como se conhece os sinais de alerta, é possível tomar medidas cedo para prevenir esses crimes. Para Guterres, "a voz, a autoridade e o exemplo de líderes religiosos é fundamental".

Compromisso para paz

O secretário-geral afirmou que plano de ação lançado nesta sexta-feira tem como base um "compromisso unificador para promover a paz, o entendimento, o respeito mútuo e os direitos fundamentais de todas as pessoas". Estes incluem os direitos à liberdade de religião e crença, opinião e expressão e associação pacífica.

O plano descreve diversas maneiras pelas quais os líderes religiosos podem prevenir a incitação à violência e contribuir para a paz e a estabilidade. O documento também contém recomendações para Estados e para a comunidade internacional e destaca a importância de mulheres e jovens em todas as iniciativas de prevenção.

Princípios

Guterres ressaltou que todas as religiões ensinam o direito à vida e reconhece os seres humanos como fundamentalmente iguais. Ele fez um apelo pela disseminação mais ampla possível do Plano de Ação e sua implementação.

O plano é resultado de dois anos de consultas lideradas pelo conselheiro especial da ONU sobre Prevenção do Genocídio, Adama Dieng, que falou à ONU News sobre a iniciativa.

Recomendações

Na entrevista, Dieng afirmou que o “plano de ação para prevenir incitamento à violência que poderia levar a crimes atrozes” contém três áreas principais de recomendações.

A primeira é relacionada à prevenção; a segunda, ao fortelecimento de parcerias e capacitação. Por fim, o plano ressalta a construção de sociedades pacíficas, inclusivas e justas através da promoção, respeito e proteção aos direitos humanos e criação de redes de líderes religiosos.

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