Vice-chefe da ONU apresenta relatório sobre cólera no Haiti

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Na Assembleia Geral, Amina Mohammed afirmou que resultados da nova abordagem da organização têm sido positivos; financiamento, no entanto, seria um desafio.

Combate ao cólera no Haiti. Foto: Minustah/Logan Abassi

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A vice-secretária-geral da ONU, Amina Mohammed, falou à Assembleia Geral nesta quarta-feira sobre o último relatório do secretário-geral da ONU sobre a questão do cólera no Haiti.

A nova abordagem da organização foi anunciada pelo ex-chefe da ONU, Ban Ki-moon, em dezembro do ano passado para demonstrar o compromisso com a eliminação da doença. Na ocasião, Ban também pediu desculpas à população haitiana em nome das Nações Unidas.

Duas partes

Segundo Amina Mohammed, os resultados até o momento têm sido positivos. A resposta intensificada e ações de controle estão reduzindo a transmissão da doença.

 

Com custo calculado em US$ 400 milhões pelos próximos dois anos, a nova abordagem vai se concentrar em duas vias diferentes.

A primeira consiste em ações mais intensas e com mais recursos para responder e reduzir a incidência do cólera em questões de curto e longo prazos relacionadas à água, saneamento e serviços de saúde no Haiti.

A segunda parte é o desenvolvimento de um pacote de assistência material e de apoio aos haitianos diretamente afetados pela doença, centrado nas vítimas e suas famílias e comunidades. Essas pessoas também serão envolvidas no desenvolvimento das propostas.

Segundo a vice-secretária-geral Amina Mohammed, o chefe da ONU, António Guterres está fortemente comprometido em levar adiante a nova abordagem. No entanto, ela afirmou que para tal, Guterres precisa do pleno apoio dos Estados-membros.

Casos

Nas semanas após o Furacão Matthew, em outubro do ano passado, o número de casos suspeitos de cólera subiu mas, desde então, caíram de forma significativa.

Atualmente, o número de casos é o mais baixo desde 2014. Mohammed defendeu que ações devem ser mantidas e aceleradas para não perder impulso e consolidar os investimentos e os ganhos dos últimos 12 meses.

Ela afirmou ser preciso também aprimorar laboratórios, diagnóstico clínico e tratamento.

Vacinação

A vice-secretária-geral citou que a campanha de vacinação realizada pela Organização Panamericana da Saúde está avançada e deve alcançar 85% da meta de 700 mil pessoas até o fim desse mês.

A nova campanha, marcada para o último trimestre de 2017, busca vacinar 2,6 milhões de pessoas nas áreas mais vulneráveis do país.

Financiamento

No entanto, Amina Mohammed afirmou que o financiamento é um "desafio chave" em toda a nova abordagem.

Ela agradeceu as contribuições já feitas, mas declarou que sem recursos adicionais, a resposta intensificada ao cólera e às ações de controle não podem ser mantidas em 2017 e 2018.

Isto, segundo a vice-chefe da ONU, levaria a mais sofrimento e seria um "revés significativo" no objetivo de eliminar o cólera no Haiti.

Propostas

 

Mohammed ressaltou que o secretário-geral propõe abordar a necessidade de recursos de diversas formas.

Entre as ações está a nomeação, em breve, de um enviado para desenvolver uma estratégia abrangente de captação de fundos para buscar mais contribuições voluntárias de Estados-membros e outras fontes.

Na conclusão de seu discurso, a vice-secretária-geral reafirmou a "responsabilidade moral das Nações Unidas com a população do Haiti" e fez um apelo pelos recursos necessários para pôr em prática a nova abordagem.

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