Diferença entre mulheres e homens na força de trabalho continua alta

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Relatório da Organização Internacional do Trabalho prevê piora da situação ou manutenção do nível atual em várias partes do mundo; participação dos homens no mercado de trabalho já chega a 76,1% e de mulheres a 49,4% este ano.

Panorama Mundial Social e de Emprego 2017. Foto: Banco Mundial/Arne Hoel

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, afirmou que a lacuna na participação de homens e mulheres no mercado de trabalho global continua muito alta.

O relatório da agência da ONU, Panorama Mundial Social e de Emprego 2017 diz que, em média, a lacuna de gênero atingiu 26,7% no mundo neste ano. A participação dos homens na força de trabalho chegou a 76,1% e a das mulheres 49,4%. Para 2018, os índices devem se manter estáveis, com uma queda de 1% para os dois lados.

Brasil

No caso do desemprego, ele é maior para as mulheres com um índice de 6,2%. O desemprego entre os homens chega a 5,5%. O documento diz ainda que as mulheres que conseguem encontrar trabalho, geralmente ele é de pior qualidade comparado com o masculino.

O diretor do Escritório da OIT em Nova Iorque, Vinícius Pinheiro, deu mais detalhes à ONU News sobre a situação das mulheres trabalhadoras no Brasil.

"No Brasil, a situação é muito parecida com a média mundial. Hoje, a taxa de participação da mulher no mercado de trabalho é de cerca de 56,8% enquanto que a participação masculina é de cerca de 78,2%. Portanto há uma brecha de (quase) 22% nesse contexto."

Pinheiro afirmou que o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho terá um impacto fenomenal na economia.

A OIT calcula que um aumento de 25 pontos percentuais na participação feminina na força de trabalho, que é um compromisso do G20, pode trazer uma alta de US$ 5,8 trilhões no Produto Interno Bruto, o PIB global até 2025.

Os países árabes são os que apresentam as maiores diferenças. A lacuna de gêneros nessas nações atinge 55,2%, o índice mais alto no mundo, seguido pelo norte da África com 51,2%. Na região da América Latina e do Caribe, a taxa é de 25,6%, mais baixa do que a média mundial.

Emergentes

Analisado mais de perto, o documento mostra que a diferença entre homens e mulheres no mercado de trabalho é maior nos países emergentes, com 30,6%. As nações em desenvolvimento são as que apresentam o menor índice na lacuna de gênero.

Para solucionar o problema, os especialistas da OIT sugerem a promoção de salários iguais para trabalhos iguais. Além disso, eles pedem que os governos ataquem as causas da segregação ocupacional e setorial.

As autoridades devem apoiar uma maior representação e participação feminina em todos os setores, como também o papel de liderança nas tomadas de decisões.

Reforma

A OIT quer uma reforma das instituições para prevenir e eliminar qualquer tipo de discriminação, violência e abusos contra ambos, mulheres e homens.

O primeiro passo neste sentido, segundo a agência da ONU, seria a implementação de leis que possam prevenir e eliminar a discriminação baseada em gênero.

O relatório explica que as mulheres, muitas vezes, fazem contribuições para a sociedade e famílias fornecendo um tipo de trabalho considerado invisível ou desvalorizado.

Entre eles está o cuidado de parentes doentes. Esse é um tipo de serviço necessário para a sobrevivência da da família.

A OIT quer que os países implementem também políticas para melhorar e promover o equilíbrio entre trabalho e família. Milhões de mulheres e homens no mundo não têm qualquer tipo de proteção legal neste sentido.

O relatório diz ainda que devem ser criados e protegidos empregos de qualidade no setor de cuidados de saúde, uma área em que as mulheres têm grande participação.

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