Unicef: aumenta em 500% número de crianças migrantes viajando sozinhas

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Fundo das Nações Unidas para a Infância disse que entre 2010 e 2016 quantidade de menores viajando desacompanhados ou separados de suas famílias passou de 66 mil para pelo menos 300 mil.

Foto: Unicef/Ashley Gilbertson VII

Edgard Júnior, da ONU News em Nova Iorque.

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, alerta que houve um aumento de 500% do número de crianças migrantes e refugiadas viajando sozinhas ou separadas de suas famílias.

O relatório "Criança é Criança: Protegendo as Crianças em Movimento da Violência, Abuso e Exploração" foi lançado esta quinta-feira. O documento apresenta uma amostra global da situação desses menores, as motivações por trás de suas viagens e os riscos que eles correm durante a jornada.

Rotas perigosas

Segundo o Unicef, pelo menos 300 mil crianças viajaram desacompanhadas ou separadas de suas famílias para 80 países em 2015 e 2016 somados. Em comparação, no biênio 2010-2011 foram 66 mil nesta mesma situação.

Os especialistas disseram que um número cada vez maior desses menores usa rotas altamente perigosas. Essas crianças geralmente estão à mercê de contrabandistas e traficantes para chegar ao destino final, o que justifica um sistema de proteção global para mantê-las protegidas de exploração, abusos e morte.

Segundo dados do Unicef, 200 mil crianças entraram com processo de asilo em 80 países entre 2015 e 2016. Durante esse mesmo período, 100 mil menores foram apreendidos na fronteira entre os Estados Unidos e o México e 170 mil crianças desacompanhadas também pediram asilo na Europa.

A agência da ONU afirmou que as crianças separadas de suas famílias correspondem a 92% dos menores que chegaram à Itália durante 2016 e o início deste ano.

Famílias unidas

Além disso, as crianças nesta situação representam 28% das vítimas de tráfico humano global. A África Subsaariana, a América Central e o Caribe têm os índices mais altos de vítimas.

Para combater o problema, o Unicef quer que os países protejam os refugiados e migrantes, principalmente as crianças desacompanhadas e acabem com as detenções de crianças que buscam refúgio.

A agência da ONU diz que a manter as famílias unidas é a melhor forma de proteger as crianças. As autoridades devem fornecer também acesso à educação, saúde e outros serviços básicos.

Xenofobia

O Fundo para a Infância quer a promoção de medidas para combater a xenofobia, a discriminação e a marginalização de refugiados e migrantes nos países de trânsito e de destino.

O relatório do Unicef cita ainda o caso de Mary, uma menor de 17 anos da Nigéria, que estava viajando desacompanhada. Ela contou o trauma de sua trajetória da Líbia até a Itália.

Mary disse que todas as promessas de que seria bem tratada foram mentira. Ela foi mantida na Líbia por mais de três meses onde foi estuprada pelo traficante que disse que não a levaria à Itália se ela não dormisse com ele.

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