Sudão do Sul: relatório da ONU expõe violações de direitos humanos em Yei

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Documento foi divulgado nesta sexta-feira; região fica a cerca de 150 kilómetros da capital Juba; texto cita bombardeamentos, incêndios, assassinatos e violência sexual.

Foto: OIM/Bannon

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Um relatório das Nações Unidas publicado nesta sexta-feira divulgou as conclusões de uma profunda investigação no Sudão do Sul, sobre abusos e violações de direitos humanos cometidos na cidade de Yei e arredores, no estado de Equatória Central, entre julho de 2016 e janeiro deste ano.

A região fica a cerca de 150 kilómetros da capital Juba. O documento foi produzido pela equipa de direitos humanos da Missão da ONU no Sudão do Sul, Unmiss, e pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU.

Violações e abusos

O relatório regista violações e abusos contra civis em ambos os lados do conflito, com base em etnia ou seu suposto apoio ao outro lado.

O documento cita 114 mortes por forças aliadas ao governo. Segundo o texto, a extensão de abusos cometidos por grupos armados de oposição ainda não está clara devido à falta de acesso a áreas onde estes são ativos.

O relatório conclui que os atos podem constituir crimes de guerra ou contra a humanidade e defende mais investigação.

Combates

O texto expõe casos de bombardeamentos indiscriminados a civis, assassinatos, saques e incêndios a propriedades da população e violência sexual a mulheres e meninas, incluindo às que estão a fugir dos combates.

Segundo o Escritório de Direitos Humanos, até pouco tempo atrás, Yei era uma cidade em grande parte pacífica, com entre 200 mil e 300 mil residentes de diferentes etnias.

Em julho de 2016, a violência eclodiu entre forças de governo e oposição, o que levou à saída do líder da oposição, Riek Machar, e um pequeno grupo de aliados à República Democrática do Congo, através da região das Equatórias.

O Escritório afirmou que à medida que as forças do governo o perseguiam, os combates simultâneos se desencadearam ao longo da rota, particularmente em Yei.

Segundo o relatório, a violência alimentou divisões étnicas e resultou em assassinatos, prisões, estupros e deslocamento em massa de mais da metade da população civil da cidade.

Imagens de satélite

Imagens de satélite mostram casas e centros comerciais queimados de forma generalizada.

Mesmo enquanto as pessoas fugiam, o relatório sugere que estas foram alvo de atores armados enquanto se dirigiam a Uganda para buscar refúgio.

O relatório documenta o "profundo sofrimento humanos causado pelo conflito em curso e a exploração de divisões étnicas e locais para fins políticos", e destaca o alto nível de impunidade no país.

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