Problemas para entregar ajuda na Síria estão piores do que em 2016

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Conselheiro especial da ONU, Jan Egeland, alertou para situação humanitária em áreas sitiadas no país árabe; também em Genebra, enviado especial falou sobre possibilidade de nova rodada de conversas entre lados em conflito.

Jan Egeland. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.*

As Nações Unidas e parceiros levaram ajuda, por comboios ou entregas aéreas a mais de 500 mil pessoas na Síria este ano.

No entanto, das 13 áreas sitiadas, apenas seis foram alcançadas desde janeiro. Duas destas, Al Houla e Harbanifse, receberam assistência na semana passada pela primeira vez este ano. Nos locais, nas provícias de Hama e Homs, 90 mil pessoas precisam de ajuda.

"Homens com armas"

A situação reflete os problemas que os trabalhadores humanitários na Síria enfrentam. Falando a jornalistas em Genebra, o conselheiro especial da ONU, Jan Egeland, afirmou que 30% a menos de ajuda chegou este ano a cidades cercadas por "homens com armas e poder", em comparação ao ano passado.

Ele afirmou que existem "trabalhadores humanitários corajosos", caminhões e armazéns, mas que não é possível entrar em muitos desses locais.

Já nas chamadas áreas de difícil acesso, que são controladas mas não cercadas por forças do governo ou da oposição, a entrega de ajuda cresceu 35% em 2017.

No entanto, segundo Egeland, muitos civis ainda estão em situação desesperadora. Entre os que estão sofrendo, estão mais de 400 mil pessoas no leste de Ghouta, que estão sem ajuda desde meados do ano passado.

Negociações

Já o enviado especial da ONU para Síria, Staffan de Mistura, disse a jornalistas que recebeu relatos de conversas "construtivas" entre Irã, Rússia, Turquia e a ONU em Teerã.

Dependendo da situação no terreno, de Mistura afirmou que os encontros serão seguidos por uma nova rodada de conversas entre sírios em Genebra no fim do mês.

Crianças

Ainda em Genebra, a Comissão da ONU sobre os direitos das crianças pediu prestação de contas para os "repreensíveis atos" sendo cometidos contra menores na Síria.

O presidente do grupo, Benyam Dawit Mezmur, afirmou que "2016 já foi o pior ano para as 6 milhões de crianças do país afetadas pelo conflito", citando mortes, mutilação, risco de violência sexual e trauma.

Segundo Mezmur, quase 2,4 milhões de menores sírios tiveram que deixar suas casas e 2,8 milhões estão vivendo em áreas de difícil acesso além de outras 280 mil em áreas sitiadas.

*Com reportagem de Daniel Johnson, da ONU News em Genebra.

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