Angola recebeu 11 mil congoleses que fugiram de conflitos em Kasai

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Agência da ONU para Refugiados menciona confronto brutal na região da RD Congo; a maioria chega em Dundo, na província de Luanda Norte; Unicef revela que 1,5 milhão de crianças foram afetadas pela violência.

Congoleses da província de Kasai a esperar entrega de comida. Foto: Joseph Mankamba/OCHA-DRC

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque. 

A onda de violência na província de Kasai, na República Democrática do Congo, já forçou 11 mil pessoas a buscar refúgio em Angola. A informação chega da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. Somente neste mês de abril, foram 9 mil congoleses a entrar em território angolano.

O Acnur classifica a situação em Kasai como "um conflito brutal", que já deslocou mais de 1 milhão de civis desde meados de 2016. Os que vão para Angola chegam principalmente em Dundo, capital da província Luanda Norte.

Jornada

Os refugiados contam que fugiram das milícias que atacam policiais, militares e civis que são suspeitos de apoiar ou representar o governo. Muitos ficaram escondidos nas florestas por vários dias até partir para Angola, onde chegaram em "condições desesperadoras, sem ter tido acesso à água, comida ou abrigo".

A situação está a ser coordenada pelo Acnur com governo e parceiros locais. A agência da ONU enviará uma equipa para Dundo no sábado, em apoio aos trabalhos de assistência.

O Acnur também está a preparar kits para enviar à Angola, com tendas, utensílios de cozinha, cobertores, redes mosquiteiras e colchões. A agência agradece ao governo angolano por manter suas fronteiras abertas aos refugiados da RD Congo.

Crianças

Uma outra preocupação é com a situação das crianças que chegam a Angola desnutridas e doentes, a sofrer com diarreia, febre ou malária. Dois menores já morreram de má nutrição severa.

Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, 1,5 milhão de crianças foram afetadas pela "violência extrema" na província de Kasai. Cerca de 600 mil já foram obrigadas a abandonar suas casas.

O Unicef recebeu relatos de menores de idade detidos, estuprados e até executados. A agência faz um apelo para que os responsáveis sejam punidos, uma vez que "o terrível abuso de crianças não pode continuar".

A agência da ONU calcula que 2 mil crianças estejam a ser usadas pelas milícias na província da RD Congo e a violência em Kasai já deixou 300 seriamente feridas, além de 4 mil que foram separadas de suas famílias.

O Unicef precisa de mais de US$ 20 milhões para responder à crise em Kasai, mas recebeu apenas US$ 3,5 milhões até o momento.

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