Sírios continuam alvejados e sofrendo abusos no conflito

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Avaliação está no último relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre o país; grupo liderado pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro documentou violações de direitos humanos e crimes de guerra.

O presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro. Foto: ONU/Rick Bajornas

Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

Todas as partes do conflito na Síria continuaram cometendo violações e abusos de direitos humanos.

A avaliação está no último relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito sobre a Síria. Com base em 326 entrevistas, o grupo examina em detalhe a conduta de todos os lados em conflito, documentando abusos de direitos humanos e crimes de guerra cometidos entre 21 de julho de 2016 e 28 de fevereiro de 2017.

Prestação de contas

O professor brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro é o presidente da Comissão. Ele chamou atenção para a necessidade de prestação de contas sobre violações e abusos cometidos durante o conflito, incluindo em casos de desaparecimentos forçados e detenções arbitrárias.

Falando em inglês, Pinheiro afirmou que a Comissão continua a cumprir seu “mandato único de investigar e documentar todas as violações na Síria de maneira imparcial e independente para estabelecer fatos, amplificar as vozes das vítimas e defender publicamente a justiça e a prestação de contas".

Recomendações

Paulo Sérgio Pinheiro contou ainda que o grupo continua a fazer recomendações aos Estados-membros e a todas as partes do conflito para “proteger e cumprir os direitos humanos dos sírios, incluindo garantindo caminhos para justiça às vítimas”.

Segundo o relatório, o governo e forças aliadas continuam realizando ataques aéreos, à serviços de infraestrutura vitais como hospitais, escolas e estações de água. Centenas de pessoas morreram nessas ações.

Escola

De acordo com Pinheiro, “enquanto os olhos do mundo estavam em Alepo, sírios ao redor do país, e em particular crianças, continuaram se tornando vítimas de táticas que favorecem ganhos militares acima do respeito pela lei internacional e a vida humana’'.

A Comissão cita o que chamou de um ataque deliberadoda Força Aérea Síria a um complexo de uma escola em Idlib que matou 21 crianças e deixou outras 61 feridas.

Execuções

A Comissão também revela que grupos armados continuam usandoarmas manufaturadas localmente para conduzir ataques que resultaram nas mortes e ferimentos de dezenas de civis.

Grupos terroristas como Fatah al-Sham e o auto proclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil, seguem com execuções sumárias, incluindo de mulheres acusadas de adultério, e homens que são homossexuais.

O relatório da Comissão também cita uma ocasião em que o Isil usou centenas de civis como escudos humanos para proteger seus combatentes de ataques.

Mais de 6 milhões de sírios estão deslocados dentro do país, quase metade destes crianças, alertou uma das integrantes da Comissão Independente, Karen AbuZayd.

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JORNAL DA ONU - BRASIL (5 MIN), 28 DE MARÇO DE 2017
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