Cursos de idiomas no Rio e em São Paulo têm refugiados como professores

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Projeto Abraço Cultural conta com o apoio da Cáritas Arquidiocesana, parceira do Acnur; refugiado sírio dá aula de árabe e o da Venezuela ensina espanhol; curso também aborda questões culturais e históricas.

O venezuelano Ender Molina ensina espanhol. Foto: UNIC Rio.

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.* 

Já imaginou aprender um idioma com um professor nativo, que é também um refugiado? Essa é a proposta do projeto Abraço Cultural, que tem unidades de ensino em São Paulo e no Rio de Janeiro.

A iniciativa tem o apoio da Cáritas Arquidiocesana, que é parceira da Agência da ONU para Refugiados, Acnur. Como a maioria dos refugiados não tem experiência anterior como professores, o curso oferece capacitação pedagógica e aulas de português como parte do treinamento.

Nova chance

Ender Molina é da Venezuela e conseguiu refúgio no Rio de Janeiro. No Abraço Cultural, ele dá aulas de espanhol e contou sobre a oportunidade que está mudando a sua vida.

"Eu já tinha tentado dar aulas de espanhol, mas foi muito difícil, ninguém confia. Aí depois de um tempo, o Abraço Cultural entrou em contato comigo e me falaram da oportunidade e eu falei: bom, eu vou tentar. Eu estava muito desanimado no começo. Mas quando eu fui lá e conheci eles, eu fiquei emocionado e falei: eu vou lutar por essa vaga que tem, porque quero ficar, eu gostei das pessoas, é muito legal, o tratamento com a gente é bem diferente."

Um outro professor do projeto é o sírio Adel Bakkour, que ensina árabe e é também estudante universitário. Segundo ele, o contato com os alunos contribuiu para a sua integração no Brasil.

Integração

"Eu adoro o Abraço Cultural. Minha vida realmente mudou depois de conhecer as coordenadoras, os professores, os alunos. Não dá para voltar para a Síria tão cedo, então eu preciso me estabilizar aqui."

A co-fundadora e coordenadora do projeto no Rio, Tatiana Rodrigues, explica que a ideia é ajudar na integração dos refugiados e contribuir para a independência financeira deles.

"Eu acho que isso para eles é muito importante, essa valorização deles como ser humano, como profissionais. Os alunos vêm por causa dos professores e isso é muito bacana."

História

Segundo Tatiana, outro destaque do curso é o ensino de línguas aliado à cultura, abordando questões culturais e históricas dos países de origem dos idiomas. O conceito é aprovado por alunos como Rafael Mota Miranda, que aprende francês com um professor nascido na República Democrática do Congo.

"O aluno é instigado a pesquisar sobre quem são as personalidades daquele país e isso faz com que a gente tenha uma experiência cultural bem diferente, que eu sinceramente, ao longo da minha vida como estudantes de línguas nunca tive."

No Rio de Janeiro, o Abraço Cultural tem unidades na Tijuca e em Botafogo, e em São Paulo, as aulas acontecem no bairro de Pinheiros. Todas as informações sobre os cursos estão no site do projeto: http://abracocultural.com.br/

 *Com reportagem do Unic Rio. 

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