ONU: 99% dos arrecifes de corais podem sofrer branqueamento neste século

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Nova pesquisa, divulgada pelo Pnuma, mostra o impacto da mudança climática no futuro dos corais; emissões mais ambiciosas para reduzir poluentes pode garantir 11 anos extras antes do braqueamento total; expectativa é que em 2043, corais passem a experimentar o fenômeno anualmente.

Segundo o Pnuma, os corais são um dos ecossistemas mais importantes do planeta e estão perdendo suas cores devido aos impactos da mudança climática. Foto: Pnuma/Glenn Edney

Leda Letra, da ONU News em Nova Iorque.

Uma nova projeção apresentada esta quinta-feira pelo Programa da ONU para o Meio Ambiente, Pnuma, mostra quando ocorrerá o branqueamento dos arrecifes de corais.

Segundo a agência, os corais são um dos ecossistemas mais importantes do planeta e estão perdendo suas cores devido aos impactos da mudança climática. Pelas projeções, os arrecifes de Taiwan e das ilhas caribenhas Turcas e Caicos serão os primeiros a enfrentar o branqueamento anual.

Estimativas

Algumas décadas depois será a vez dos corais do Barein, do Chile e da Polinésia Francesa perderem suas cores. O chefe do Pnuma, Erik Solheim, declarou que "as previsões são um tesouro para os que lutam para proteger um dos ecossistemas mais magníficos e importantes" do mundo.

Com os dados, pesquisadores e governos poderão agir antes que seja tarde demais, priorizando a conservação. Se as tendências atuais continuarem e nada for feito para a redução dos gases que causam o efeito estufa, 99% dos arrecifes de corais vão passar por branqueamento severo neste século.

Aquecimento

Os arrecifes de corais já estão sob ameaça devido à pesca excessiva e ao turismo e são muito vulneráveis à mudança climática porque são afetados facilmente pelo aquecimento das águas.

Quando a temperatura do mar sobe, as algas que dão as cores vibrantes aos corais saem do hospedeiro, fazendo com que os corais fiquem brancos. Sem as algas, os corais correm risco de passar fome e ficam suscetíveis a doenças.

O novo estudo mostra que em média, os corais vão começar a sofrer um branqueamento anual a partir de 2043. Se as reduções das emissões de gases ultrapassarem as metas firmadas no Acordo de Paris, os arrecifes terão 11 anos para se adaptar ao aquecimento da água do mar antes de começar a perder a coloração.

Austrália

O Pnuma explica que um arrecife demora pelo menos cinco anos para se recuperar de um processo de branqueamento. Assim, os corais perdem sua capacidade proteger peixes, animais marinhos e áreas costeiras.

Entre 2014 e 2016, houve o maior branqueamento já registrado no mundo, que matou corais numa escala sem precedentes. No ano passado, 90% da Grande Barreira de Corais da Austrália sofreu branqueamento e mais de 20% dos arrecifes da região acabaram morrendo.

No mundo, os arrecifes abrigam um quarto da vida marinha e geram US$ 375 bilhões por ano a partir da pesca, do turismo e da proteção costeira.

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