Relatora da ONU quer que Argentina proteja mulheres da "cultura machista"

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Afirmação é de Dubravka Simonovic, que acaba de encerrar visita oficial ao país; ela elogia combate ao feminicídio, mas pede mais ação pelo fim do patriarcado e dos estereótipos de gênero. 

Argentinos jogam rosas no Rio da Prata, em Buenos Aires. Foto: ONU/Mark Garten

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York. 

Uma especialista independente em direitos humanos das Nações Unidas afirma que o sistema da Argentina de prevenir a violência contra a mulher tem "falhas significativas". Dubravka Simonovic fez a declaração em Buenos Aires ao encerrar uma visita oficial ao país.

Ela é relatora especial da ONU sobre violência contra mulheres. Na sua avaliação, essa violência é muitas vezes tolerada na Argentina devido à "cultura machista".

Assassinatos

Simonovic elogiou o país pelos avanços no combate aos assassinatos de mulheres (feminicídio), mas ressaltou a necessidade de mais ação para que a Argentina cumpra com suas obrigações internacionais de acabar com atitudes patriarcais e estereótipos de gênero.

A relatora da ONU pede ao governo para intensificar ações para prevenir e combater o feminicídio e outras formas de violência de gênero e assim, garantir que todas as mulheres e meninas tenham uma vida sem violência.

Recomendações

A especialista está muito preocupada com uma lei federal que considera violência sexual uma questão privada. Segundo ela, esse tipo de regra envia "a mensagem errada, de que estupros e violência sexual não devem ser uma preocupação pública".

Simonovic fez várias recomendações ao governo, para que implemente uma lei recém-adotada sobre proteção das mulheres, que construa mais abrigos e estabeleça apoio total às vítimas da violência. Ela também quer aumento do orçamento do Conselho Nacional para Mulheres.

A especialista apresentará um relatório completo ao Conselho de Direitos Humanos sobre sua visita à Argentina em junho de 2017.

Os relatores de direitos humanos trabalham a título voluntário; eles não são funcionários da ONU e não recebem um salário pelo seu trabalho. São independentes de qualquer governo ou organização e prestam serviços em caráter individual.

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