Comunidade Lgbti enfrenta "turbilhão de violência e discriminação"

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Afirmação é do novo especialista independente da ONU para a proteção contra violência baseada na orientação sexual; Vitit Muntarbhorn destaca que grupo continua enfrentando abusos de direitos humanos pelo mundo.

Vitit Muntarbhorn é o primeiro especialista da ONU contra discriminação baseada em orientação sexual. Foto: ONU/Rick Bajornas

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova York.

Pessoas das comunidades Lgbti (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros e intersexuais) estão enfrentando, no mundo todo, um aumento do discurso de ódio, inclusive nas redes sociais.

A avaliação é do novo especialista independente da ONU para a proteção contra a violência e discriminação baseada em orientação sexual e identidade de gênero. Vitit Muntarbhorn é o primeiro relator a ter essa função.

Mortes

Segundo ele, em vários países estão sendo documentados assassinatos, estupros, mutilação e outros tratamentos crueis contra indivíduos das comunidades Lgbti. O especialista da ONU lembra que essas pessoas "simplesmente desejam ser o que são" e exatamente por isso, enfrentam abusos de direitos humanos.

Lésbicas, gays e bissexuais são afetados principalmente por leis contra relações entre pessoas do mesmo sexo, consideradas um crime em 70 países. Já os transgêneros têm dificuldades para conseguir documentos oficiais, como registro de identidade e segundo o relator, "sofrem bullying ou são ridicularizados".

Muntarbhorn explica que os intersexuais, incluindo pessoas que nasceram com órgãos genitais masculino e femino, "são obrigadas a fazer cirurgia ou tratamentos médicos ainda muito jovens, sofrendo danos e traumas sem fim".

Mídia

O novo especialista da ONU destaca que "esse turbilhão de violência e de discriminação muitas vezes começa em casa, na escola e nos ambientes frequentados por essas pessoas.

Vitit Muntarbhorn alerta para o aumento do "discurso de ódio, na mídia e nas redes sociais, o que alimenta a homofobia e a transfobia". Ele prometeu utilizar seu novo mandato para pressionar por mais ações a favor da comunidade Lgbti, de acordo com os princípios da não-discriminação contidos na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Os relatores de direitos humanos trabalham a título voluntário; eles não são funcionários da ONU e não recebem um salário pelo seu trabalho. São independentes de qualquer governo ou organização e prestam serviços em caráter individual.

 

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JORNAL DA ONU - 6 MIN, 22 DE JUNHO DE 2017
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