ONU alerta sobre "aumento alarmante da retórica do ódio” no Sudão do Sul

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Escritório de Direitos Humanos da ONU cita ameaças a moradores da região de Equatória que incluiriam violência, mutilação e assassinato; para alto comissário, retórica de ódio no país, especialmente se explorada por propósitos políticos, pode ter consequências arrasadoras para comunidades inteiras.

Cartas com alertas gráficos de violência a pessoas da região de Equatória foram deixadas perto de instituições humanitárias em Aweil Oeste, no nordeste do país. Foto: Escritório de Direitos Humanos da ONU

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova Iorque.

Um "aumento alarmante" no discurso de ódio e incitamento à violência contra certos grupos étnicos no Sudão do Sul levou o alto comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, a emitir um alerta.

Segundo Zeid, se isto não for controlado por líderes comunitários e políticos nos níveis mais altos, atrocidades em massa poderiam ocorrer.

Ameaças

De acordo com um comunicado do Escritório do alto comissário, nas últimas duas semanas, cartas com alertas gráficos de violência a pessoas da região de Equatória foram deixadas perto de instituições humanitárias em Aweil Oeste, no nordeste do país.

As cartas foram atribuídas à comunidade Dinka e alertavam equatorianos a saírem ou serem "eliminados".

As ameaças incluiam violência, mutilação e assassinato. Segundo relatos, diversas autoridades do estado teriam aderido ao discurso de ódio. Um funcionário humanitário de Equatória foi atacado a 16 de outubro na cidade de Awei e 104 funcionários de organizações humanitárias foram evacuados.

Retórica

As intimidação seguiram-se ao assassinato de um número não confirmado de civis Dinka que estavam a viajar de ônibus para Juba a 8 de outubro, assim como como a um outro ataque a três ônibus dois dias depois.

Segundo o Escritório de direitos humanos da ONU, redes sociais perpetuaram os boatos sobre o número de civis mortos e pediram vingança contra os equatorianos.

O alto comissário alertou que a "retórica de ódio no Sudão do Sul, especialmente se explorada por propósitos políticos, pode ter consequências arrasadoras para comunidades inteiras", podendo se tornar um "ciclo de ataques de vingança".

Investigação

Zeid instou o presidente Salva Kiir e líderes políticos e comunitários que condenem o incitamento à violência "urgentemente e de forma inequívoca" e tomem medidas rápidas para reduzir tensões.

Para ele, um "passo importante seria investigar de forma rápida e transparente a violência dos dias 8 e 10 de outubro e responsabilizar criminalmente os responsáveis".

O alto comissário ressaltou que os responsáveis pelas "terríveis ameaças aos equatorianos também devem prestar contas".

O governador em exercício do estado de Aweil emitou um comunidado onde pede que os cidadãos unam-se ao governo em sua condenação das "supostas ameaças" dirigidas aos "irmãos e irmãs de Equatória", o que Zeid elogiou.

No entanto, ele permanece preocupado com uma declaração emitida pelo presidente Kiir a 19 de outubro em que disse que iria pessoalmente liderar operações militares contra grupos armados responsáveis pelos assassinatos na região.

Segundo Zeid, a declaração tem sido interpretada como tendo orientações étnicas.

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