Sahel continua a enfrentar forte pressão da mudança climática

Ouvir /

Ocha explica que região é uma das que mais sofrem com os efeitos de padrões imprevisíveis do clima, em especial secas e degradação da terra; se não forem tratados os desafios, população continuará a sofrer ao longo de 2016.

Campo de refugiados de Mbera, na Mauritânia, na região do Sahel. Foto: PMA/Justin Smith

Leda Letra, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A região africana do Sahel continua a enfrentar extrema pobreza, rápido crescimento da população e efeitos da mudança climática. O Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, faz um alerta: se os desafios não forem tratados, as perspectivas para o Sahel são ruins e as pessoas mais vulneráveis irão continuar a sofrer.

Segundo o Ocha, a região é uma das que mais sofrem com os efeitos da mudança climática, devido a movimentações imprevisíveis do clima, que estão a gerar secas e degradação de terra cada vez mais frequentes.

Perspectivas

Boa parte da população depende da agricultura para sobreviver. Os choques ambientais geram insegurança alimentar, fome crónica e má nutrição.

Conflitos armados e violência em países do Sahel são outros factores a contribuir para a vulnerabilidade. O Ocha aponta também para a falta de empregos e desigualdades sociais, o que gera riscos de radicalização ou do recrutamento de jovens para o combate.

População

Um informe do Ocha cita futuros eventos extremos do clima que colocam Chade, Níger e Nigéria entre os países com nível "extremo de risco climático". Com economias fragilizadas e fraca governança, as condições da região só tendem a piorar.

O levantamento feito pelo Escritório mostra que 150 milhões de pessoas vivem no Sahel. Quatro entre cinco são dependentes da agricultura e uma entre seis enfrenta insegurança alimentar.

Água

A população da região cresce em média 3.5% por ano, a dobrar de tamanho a cada três décadas. Especialistas temem que não haverá alimentos suficientes e muito provavelmente a produção de cereais precisará dobrar até 2050.

A água já está escassa no Sahel, sendo um bem natural muito importante para a agricultura: 98% da produção depende da água da chuva. A quantidade de água disponível por habitante caiu 40% nos últimos 20 anos devido ao crescimento populacional e menores recursos.

Segundo o Ocha, a temperatura média na região poderá subir entre 3° e 6°Celsius até o fim do século. Há estudos que mostram que esse aumento poderá gerar até 25% de queda na produção de alimentos. Para o ano de 2016, o Escritório da ONU prevê que 24 milhões enfrentem insegurança alimentar.

Resolver a "tripla crise" do Sahel (humanitária, de governança e de segurança) precisa ser prioridade na avaliação do Ocha, que revela que 110 entidades de assistência humanitária estão a atuar em nove países da região.

Leia Mais:

Camarões: lançado plano humanitário para o país e refugiados na região

Conselho de Segurança preocupado com tensões políticas na Guiné-Bissau

Ban divulga prioridades para 2016 

Compartilhe

JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
Loading the player ...

SIGA A RÁDIO ONU NAS REDES SOCIAIS

 

dezembro 2017
S T Q Q S S D
« nov    
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031