Povos indígenas estão entre os mais pobres da América Latina

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Relatório do Banco Mundial afirma que pobreza atinge 43% do grupo na região; índice é mais do dobro dos não indígenas.

Os indigenas representam 8% da populacao latino-americana. Foto: Banco Mundial

Mariana Ceratti, do Banco Mundial em Brasília para a Rádio ONU.

A pobreza afeta 43% dos indígenas da América Latina, mais do dobro da proporção de não indígenas. Além disso, 24% dos ameríndios vivem em extrema pobreza, percentual 2,7 vezes maior que o encontrado no restante da população.

Esses são dois dos principais alertas do novo relatório América Latina Indígena no Século 21 – A Primeira Década, do Banco Mundial.

Desigualdade

O estudo, lançado hoje, no Panamá, analisa dados de 16 países e destaca que os 42 milhões de indígenas da região representam 8% da população.

Apesar de alguns avanços nas áreas de acesso à educação e à infraestrutura, bem como na participação política, não houve redução na desigualdade.

O documento mostra que enquanto a América Latina se beneficiava de um bom crescimento econômico na primeira década dos anos 2000, as diferenças entre os lares indígenas e os demais se mantiveram iguais ou se aprofundaram.

Brasil

Só no Brasil, por exemplo, a brecha de pobreza entre os dois grupos aumentou 99% no período.

Atualmente, os indígenas constituem 14% dos pobres e 17% dos extremamente pobres da América Latina.

A economista Liliana Sousa, da equipe de autores do relatório, explica alguns motivos para os indígenas serem mais prejudicados.

"Alguma dessa diferença é atribuída a características associadas com mais pobreza para qualquer grupo na América Latina. Por exemplo, a pobreza em muitos países é mais alta em áreas rurais, e a maior proporção da população indígena vive em áreas rurais. Mas essas diferenças demográficas e de emprego entre a população indígena e o resto da população não explicam completamente a diferença em pobreza. Isso sugere que a população indígena enfrenta desafios específicos para sair da pobreza", diz Liliana.

A equipe de autores enfatiza a necessidade de mais pesquisas e estatísticas para entender os desafios dos povos indígenas. E, também, de mais políticas públicas direcionadas a essa população.

Desenvolvimento

O relatório ainda reconhece que os povos indígenas em geral têm um entendimento próprio do que é o desenvolvimento.

Finalmente, ressalta o potencial de contribuição dos povos indígenas a áreas como segurança alimentar, gestão ambiental, agricultura, medicina, artes e desenvolvimento liderado pela comunidade. Portanto, os autores afirmam que tais vozes e ideias precisam ser consideradas na agenda das Nações Unidas pós-2015.

Os brasileiros estão por trás de algumas dessas contribuições. De 2000 a 2012, por exemplo, o índice de desmatamento na Amazônia brasileira foi de 0,6% dentro de territórios indígenas protegidos, mas 7% fora deles.

Por isso, o reconhecimento legal de territórios indígenas demonstrou ser uma importante estratégia para evitar mais devastações.

Vale ressaltar que o Brasil, com 820 mil indígenas, tem um dos menores percentuais encontrados na América Latina: só 0,5% da população.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 8 DE DEZEMBRO DE 2017
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