ONU pede ações para combater crescente número de crianças mortas no mar

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Em comunicado conjunto, Acnur, Unicef e OIM pedem mais proteção para refugiados e migrantes; uma média de duas crianças se afogaram todos os dias desde setembro de 2015 enquanto suas famílias tentam atravessar Mediterrâneo. 

Voluntários ajudam criança a sair do barco em Lesbos, Grécia. Foto: Acnur/Achilleas Zavallis

Laura Gelbert, da Rádio ONU em Nova York.

Uma média de duas crianças se afogaram todos os dias desde setembro de 2015 enquanto suas famílias tentam atravessar o mar Mediterrâneo e o número de mortes de menores está aumentando.

Em comunicado conjunto publicado nesta sexta-feira, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, Acnur, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e a Organização Internacional para Migrações, OIM, pediram mais segurança para as pessoas fugindo de "conflito e desespero".

Aylan Kurdi

Desde setembro do ano passado, quando a trágica morte do menino sírio Aylan Kurdi chamou a atenção do mundo, mais de 340 crianças, muitas delas bebês, se afogaram no Mediterrâneo oriental.

Segundo as agências, no entanto, o número total de mortos pode ser ainda maior, com seus corpos perdidos no mar.

Vidas Inocentes

As crianças representam atualmente 36% das pessoas em movimento. Durante as primeiras seis semanas de 2016, 410 pessoas se afogaram, de 80 mil tentando atravessar o Mediterrâneo oriental. Isto representa um aumento de 35 vezes em comparação a 2015.

O chefe do Unicef  declarou que "não se pode virar o rosto para a tragédia de tantas jovens vidas inocentes e futuros perdidos".

Anthony Lake defendeu ainda que países "podem, e devem, cooperar para tornar viagens tão perigosas mais seguras" e lembrou: "ninguém põe uma criança em um barco se uma opção mais segura estiver disponível".

Rota Mortal

O trecho do Mar Egeu entre a Turquia e a Grécia está entre as rotas mais mortais do mundo para refugiados e migrantes.

O mar agitado no inverno e a qualidade ruim dos barcos aumentam o risco de naufrágio, tornando a viagem ainda mais perigosa.

Famílias

O alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, pediu o fim dessas "mortes trágicas" e afirmou que são necessárias mais ações para combater o contrabando de pessoas.

Ele ressaltou ainda que "muitos dos adultos e crianças que morreram estavam tentando se unir a familiares na Europa". Por isso, Grandi afirmou que "organizar formas das pessoas viajarem legalmente, e de forma mais segura, através de programas de reassentamento familiar, por exemplo, deve ser uma prioridade absoluta".

Responsabilidade Global

O secretário-geral da ONU convocou uma reunião de alto nível sobre a partilha global de responsabilidade através de caminhos legais para admissão de refugiados sírios. O encontro será em Genebra, em 30 de março.

O diretor-geral da OIM destacou que "é preciso agir" e que "contar vidas não é o suficiente".

William Lacy Swing declarou ainda que a questão não é apenas um problema do Mediterrâneo ou Europeu: "é uma catástrofe humanitária sendo formada que exige o envolvimento de todo o mundo".

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