ONU destaca liderança de Boutros Boutros-Ghali no rescaldo da guerra fria

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Ban Ki-moon realça contributo do antigo secretário-geral para o desenvolvimento e a democratização; Joaquim Chissano lembra envio de soldados da paz após guerra civil em Moçambique.

Chegada de Boutros Boutros-Ghali (direita) ao edifício das Nações Unidas em Nova Iorque, Janeiro de 1992. Foto: ONU/John Isaac

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

As Nações Unidas prestam tributo ao primeiro secretário-geral nascido em África e falecido esta terça-feira. Boutros Boutros-Ghali perdeu a vida aos 93 anos.

O atual chefe da ONU, Ban Ki-moon, homenageou o seu predecessor considerando-o um “estadista respeitado ao serviço do seu país, o Egito”. O Conselho de Segurança fez um minuto de silêncio no início da sessão.

Operações de Paz

Boutros-Ghali foi nomeado ao mais alto posto da organização em 1992, após ter sido vice-primeiro-ministro das Relações Exteriores do Egito até 1991. Nos 14 anos anteriores foi ministro de Estado das Relações Exteriores.

Ban sublinhou que o malogrado liderou as Nações Unidas no período que marcou “um aumento dramático nas operações de manutenção de paz”.

Guerra Civil

A propósito, o antigo presidente de Moçambique, Joaquim Chissano, lembrou que o ex-chefe da ONU garantiu o envio de soldados da paz ao seu país no ato de assinatura do acordo que pôs fim à guerra civil de 16 anos em 1992.

“Na cerimónia imediatamente tomou o compromisso de envio dos capacetes azuis para Moçambique. Houve uma demora, mas não era problema dele. Houve alguns elementos a acertar entre o governo e a oposição, o movimento rebelde. Entretanto, nós procuramos resolver o assunto cá dentro mas ele fez questão de vir e concretizar que as coisas vão bem.”

A ONU destaca o percurso de Boutros-Ghali  em questões internacionais assumindo papéis como jurista, académico, autor e diplomata.

Ban sublinha que Boutros-Ghali era um célebre estudioso na área do direito internacional com “experiência e poder intelectual formidáveis” para liderar as Nações Unidas num dos “períodos mais tumultuados e difíceis de sua história”.

Busca de Soluções

O chefe da ONU destaca a liderança do egípcio num tempo em que o mundo virava-se cada vez mais para as Nações Unidas em busca de soluções para os seus problemas, no rescaldo da guerra fria.

Boutros-Ghali é elogiado por fazer muito para moldar a resposta da organização a essa nova etapa, em particular através da”Agenda para a Paz”, um relatório de referência e agendas seguintes para o desenvolvimento e a democratização.

Ban elogiou Boutros-Ghali  por ter demonstrado coragem em fazer perguntas difíceis aos Estados Unidos  e ter insistido na independência do seu escritório e do secretariado no seu todo.

Nos anos que se seguiram à liderança da ONU, Boutros-Ghali presidiu a Organização da Francofonia.

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 15 DE DEZEMBRO DE 2017
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