OIM revela histórias de exploração e maus-tratos a migrantes na Líbia

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Agência revela aumento de candidatos ao repatriamento voluntário; 117 cidadãos foram repatriados na quinta-feira do Burquina Fasso; relatos mencionam envolvimento da polícia e milícias líbias em atos hostis.

Migrantes retornam a seus países de origem com ajuda da OIM. Foto: OIM Trípoli 2016 (arquivo)

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.*

A Organização Internacional para Migrações, OIM, repatriou esta quinta-feira 117 migrantes do território líbio para o Burquina Fasso. Elementos do grupo, que inclui mulheres e crianças, narraram episódios marcados por privações.

Vários cidadãos relataram histórias de tratamento desumano sofrido nas mãos de milícias, além de exploração por líbios que os empregaram para realizar várias funções, durante semanas, para depois se recusarem a pagá-los.

Salários

Os migrantes declararam que ao pedirem os salários foram ditos que deviam queixar à polícia. De acordo com as vítimas, não há um “força policial real” no país, o que fez com que estas não recebessem os seus salários.

A OIM contou que cresce o número de migrantes que pretende retornar ao país com o “agravamento da situação humanitária sem uma solução à vista” na Líbia.

Histórias

Após ter passado um ano no país, Adam, de 24 anos, contou que viajou pelo deserto com 40 pessoas numa carrinha de contrabandistas sem espaço para movimentação. Um amigo morreu depois de ter sido lançado para fora do veículo por pedir que o carro parasse para se aliviar.

Peter, de 26 anos, trabalhou em obras de construção na Líbia durante um ano marcado por “medo constante da polícia e das milícias”. Ele contou que em caso de prisão, somente um pagamento de US$ 763 garantiria a sua libertação.

Economias

Já Idris, de 18 anos, guardou todo o dinheiro que ganhou na construção, mas o valor foi tomado por um grupo armado que invadiu a sua casa e levou todas as economias. Foi após essa experiência que decidiu voltar para o Burquina Fasso.

Ao chegar ao seu país de origem, o grupo recebeu um subsídio da OIM para viajar para o destino final após apanhar um voo fretado com o apoio da agência parceira da ONU em cooperação com autoridades burquinabes e líbias.

*Apresentação: Michelle Alves de Lima.

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