Na Guiné-Bissau, 45% de mulheres e meninas sofreram mutilação genital

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Unicef revela que 200 milhões sofreram o procedimento em 30 países; líder do parlamento infantil guineense apela à mudança de mentalidade tendo em conta as consequências da prática; 6 de fevereiro é o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina.

6 de fevereiro marca o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina; prática é reconhecida internacionalmente como uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres. Foto; ONU/Marco Dormino

Eleutério Guevane, da Rádio ONU em Nova Iorque.

A Guiné-Bissau está entre os 30 países mais destacados no estudo Mutilação Genital Feminina/Excisão: Uma Preocupação Global. Segundo a pesquisa, lançada esta sexta-feira, 200 milhões de mulheres e meninas dessas nações sofreram a prática.

O número exato no mundo ainda não é conhecido, mas África e Ásia têm 29 países onde a mutilação genital feminina está concentrada com 125 milhões de pessoas que passaram pelo procedimento.

Mulheres e Meninas

O estudo do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, revela que a Guiné-Bissau tem 45% de mulheres e meninas com idades entre 15 e 49 anos que passaram pela prática entre 2004 e 2015.

Falando à Rádio ONU, em Nova Iorque, a presidente do Parlamento Nacional Infantil da Guiné-Bissau, Nela Mantija, contou que a esperança da nova geração do seu país é que a mutilação genital feminina seja banida.

“Diante do Século 21, a gente tem que saber qual é o prejuízo que esta prática traz. Nós, como organização que trabalha para o bem-estar das crianças e da juventude, fazemos campanha de sensibilização. É preciso mudar de mentalidade porque esta prática tem uma consequência terrível. É muito prejudicial à saúde. Temos oportunidade de ver como se faz esta mutilação genital feminina, é horrível e muito frio. A gente tem que mudar de mentalidade e começar a pensar nas consequências que esta prática tem.”

Casos de Excisão

O país lusófono ocupa o 12º lugar da lista dos casos de excisão ocorridos nos últimos 11 anos, que é liderada pela Somália com 98% de meninas e mulheres. Seguem-se a Guiné Conacri com 97% e o Djibuti com 93%.

O relatório destaca que oito em cada 10 guineenses que ouviram falar da excisão defendem o fim do procedimento, que envolve remover uma parte ou todo o órgão genital feminino externo. Também estão incluídas práticas que lesam o órgão por razões não médicas.

Este sábado, 6 de fevereiro é assinalado o Dia Internacional de Tolerância Zero à Mutilação Genital Feminina. A prática é reconhecida a nível internacional como uma violação dos direitos humanos das meninas e mulheres.
Desde 2008, mais de 15 mil comunidades e subdistritos de 20 países declararam publicamente o abandono do procedimento.

Progressos

O estudo revela haver uma desaprovação generalizada da mutilação genital, que inclui dois terços de rapazes e homens. Mas o Unicef sublinha que a taxa global dos progressos não é suficiente para acompanhar o crescimento da população.

A agência realça que se as tendências atuais continuarem, o número de meninas e mulheres submetidas ao procedimento deverá aumentar de forma significativa nos próximos 15 anos.

O Unicef advoga o fim da prática em todo o mundo junto ao Fundo da ONU para a População, Unfpa.

Fim da Prática

A agência revela que com a inclusão de um alvo na eliminação da mutilação genital feminina nas metas de Desenvolvimento Sustentável até 2030, o empenho internacional para o fim da prática é mais forte do que nunca.

Os dados apontam que meninas de 14 anos representam 44 milhões de pessoas que sofreram a prática. A maior prevalência nessa idade está na Gâmbia com 56%, seguida da Mauritânia com 54%. Na Indonésia, cerca de metade das meninas com menos de 11 anos teriam sofrido o procedimento.

Em grande parte dos países, a maioria das meninas foi submetida à mutilação genital antes dos cinco anos. O estudo aponta que há mais 70 milhões de meninas e mulheres submetidas à prática em relação ao que se previa em 2014.

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