"Mundo está vendo intensificação de envolvimento militar externo na Síria"

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Presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou que esse envolvimento tem consequências devastadoras sobre civis; ele destacou que resoluções do Conselho de Segurança são ignoradas.

O presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, falou nesta segunda-feira na sede da ONU em Nova York. Foto: ONU/Rick Bajornas

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O presidente da Comissão de Inquérito da ONU sobre a Síria, Paulo Sérgio Pinheiro, apresentou na sede das Nações Unidas, esta segunda-feira, relatório que fala sobre a situação no país.

O documento, o décimo-primeiro preparado pelo grupo de investigadores, inclui 415 entrevistas feitas entre julho de 2015 e janeiro deste ano, com vítimas e testemunhas que estavam dentro ou fora do país.

Destruição

Em entrevista à Rádio ONU, Pinheiro falou sobre o relatório.

"Esse relatório, certamente, é um dos mais chocantes dos nossos relatórios porque ele chama a atenção para a destruição de uma nação e a destruição de um povo. Na medida em que a população civil é a que está pagando o preço dessa guerra, porque nenhuma parte do conflito respeita as regras de combate, as Convenções de Genebra. Com total impunidade, porque ninguém é punido, porque não há nenhuma perspectiva do caso da Síria ser enviado para o Tribunal Penal Internacional."

O documento conclui que crimes contra a humanidade continuam sendo cometidos pelas forças do governo e pelos terroristas do Isil.

O chefe da Comissão de Inquérito disse que todas as partes do conflito, governo, oposição e os grupos terroristas Isil e Jabhat al-Nusra, cometeram ataques indiscriminados em áreas ocupadas pela população civil.

Esperança

Pinheiro falou também de uma esperança com as conversações de Munique.

"Há alguma esperança aberta pelo processo de Munique com várias fases: o acesso humanitário, o fim dos cercos a determinadas cidades e a abertura de um processo de negociação, de uma maneira bastante flexível com a colaboração intensa dos países que formam o grupo de apoio da Síria."

O presidente da Comissão de Inquérito disse que "o mundo está vendo uma constante intensificação do envolvimento militar estrangeiro na Síria por todos os lados".

Segundo ele, esse envolvimento tem tido "consequências devastadoras para os civis e várias comunidades sírias".

Paulo Sérgio Pinheiro declarou que com o aumento dos ataques aéreos, existem cada vez menos locais seguros para os civis se protegerem. Para o chefe da Comissão da ONU, a população está cada vez mais exposta à violência.

Resoluções Ignoradas

Ele disse que "importantes resoluções do Conselho de Segurança estão sendo ignoradas e não são implementadas".

O relatório detalha "a catastrófica destruição da infraestrutura do país nesses cinco anos de guerra, incluindo hospitais, escolas, locais públicos e instalações de fornecimento de água e energia".

Além disso, Pinheiro afirmou que os "locais que representam uma herança cultural não só para a Síria, mas também para o mundo", estão sendo destruídos e danificados através de ataques deliberados.

Ele alertou que os bombardeios aéreos feitos por forças pró-governo em áreas controladas pela oposição causaram a morte de centenas de pessoas, deslocamento em massa e a destruição de infraestrutura vital para a sociedade.

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