Medidas adotadas por cinco países europeus pioram crise de refugiados

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Alto comissário de Direitos Humanos afirmou que acordo entre polícias está tendo impacto negativo; Zeid Al Hussein pediu aos governos da Áustria, Croácia, Eslovênia, Macedônia e Sérvia que "reavaliem cuidadosamente" as operações das forças policiais.

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Al Hussein. Foto: ONU/Rick Bajornas

Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York.

O alto comissário das Nações Unidas para Direitos Humanos, Zeid Al Hussein, alertou esta quinta-feira que as medidas de segurança adotadas por chefes de polícia de cinco países europeus estão piorando a crise de refugiados.

Zeid pediu aos governos da Áustria, da Croácia, da Eslovênia, da Macedônia e da Sérvia, que "reavaliem cuidadosamente" as operações policiais.

Tratamento Mudou

Segundo o representante da ONU, depois da assinatura do acordo, na semana passada, o tratamento de refugiados e migrantes nesses países mudou, com um impacto negativo nos direitos humanos.

Ele afirmou que alguns relatos mostram deportações em massa na rota pelos Balcãs. Além disso, centenas de afegãos foram mantidos em condições difíceis por mais de cinco dias na fronteira entre a Macedônia e a Sérvia.

Zeid disse ainda que outros cidadãos afegãos foram impedidos de entrar na Macedônia, vindos da Grécia, aparentemente tendo como base apenas a sua nacionalidade.

Caos e Miséria

Para o chefe de direitos humanos da ONU, as medidas estão simplesmente "exacerbando o caos e a miséria" na região. Ele explicou que o acordo não contém nenhuma ação que tenha como objetivo proteger essas pessoas em situação extremamente vulnerável.

Zeid declarou que o documento não menciona qualquer medida especial para proteger pessoas que possam correr o risco de violações dos direitos humanos, portadoras de deficiência física ou que pertencem ao grupo Lgbt.

A lista inclui ainda idosos, vítimas de tortura, violência de gênero ou tráfico humano.

O alto comissário disse que o acordo "parece estar preocupado somente em aplicar medidas rigorosas para restringir a entrada de pessoas que estejam viajando pela chamada rota terrestre dos Balcãs".

Desafios

Zeid disse que "compreende os desafios enfrentados pelas autoridades em alguns países europeus que tentam lidar com o grande número de migrantes que chegam em seu território".

Segundo ele, "esse acordo parece permitir a expulsão coletiva de estrangeiros, ato que é expressamente proibido pela lei internacional".

O alto comissário da ONU pediu aos países da União Europeia que "adotem medidas para combater boatos, estereótipos, racismo e xenofobia que têm politizado e distorcido o debate sobre migração".

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JORNAL DA ONU - 5 MIN, 18 DE DEZEMBRO DE 2017
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